Carlos A. Moreno Rio de Janeiro, 15 fev (EFE).

- Rio de Janeiro, Salvador e Recife, que organizam os Carnavais mais famosos do Brasil e onde hoje novamente milhões de pessoas saíram às ruas para dançar, disputam acirradamente neste ano o título de cidade com o Carnaval mais popular do país em número de participantes.

Tradicionalmente o Rio de Janeiro se destaca pelos famosos e exuberantes desfiles das escolas de samba, enquanto Salvador por atrair mais pessoas aos desfiles de trios elétricos e Recife por contar com a festa carnavalesca que mais pessoas reúne nas ruas no mundo todo em uma única apresentação.

Mas, com o fortalecimento e o aumento em número, tamanho e organização de seus blocos, Rio de Janeiro ameaça ficar neste ano com o título das outras duas cidades.

O bloco Volta, Alice, o primeiro a desfilar nesta segunda-feira no Rio, atraiu cerca de 10 mil pessoas para sua festa, mesmo percorrendo ruas de difícil acesso, sob um calor de 38 graus, em um horário de ressaca e sem ter a fama dos outros blocos cariocas.

O Volta, Alice foi o primeiro dos pouco mais de 40 blocos com desfiles previstos para esta segunda-feira no Rio de Janeiro.

As autoridades calculam que pelo menos 465 blocos desfilarão nos cinco dias do Carnaval deste ano e atrairão cerca de 2,5 milhões de pessoas, a maioria delas fantasiadas.

O número de participantes esperado nas festas de rua no Rio de Janeiro neste ano é superior às 2 milhões de pessoas que Salvador calcula que acompanharão os 234 blocos e trios elétricos em pouco mais de dez dias de desfiles.

Somente o Cordão da Bola Preta, bloco mais tradicional e antigo do Rio, foi capaz de concentrar no sábado passado cerca de 1,5 milhão de pessoas nas ruas do centro carioca.

A multidão congregada pelo Cordão da Bola Preta, que a cada Carnaval aumenta, já ameaça o título que tem há anos o Galo da Madrugada, principal bloco do Recife e que este ano também atraiu 1,5 milhão de pessoas.

"Com o nível de organização que tivemos, ninguém mais precisa ir a Salvador para se divertir no Carnaval na rua. Além disso, no Rio de Janeiro pode-se participar gratuitamente e em Salvador é preciso comprar ingressos", ressalta o presidente do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro, Alexandre Sampaio.

As estatísticas de turistas também indicam que o Rio está na frente de suas cidades rivais. Enquanto as autoridades de Salvador esperam 400 mil turistas para o Carnaval deste ano, o Rio calcula que 730 mil turistas já estão na Cidade Maravilhosa.

A disputa não parecia preocupar o Rio, que preferia investir nos desfiles de suas escolas de samba, capazes de atrair 70 mil pessoas a cada noite à Marquês de Sapucaí, até que os números demonstraram que Salvador tinha se transformado no maior Carnaval de rua no início deste século.

A popularização do axé e a modernização dos trios elétricos ganharam público que tradicionalmente curtia no Rio.

Apesar sua fama mundial como maior espetáculo do mundo ao ar livre, os desfiles das escolas de samba, com até 6 mil músicos e dançarinos, estão restritos ao público que pode pagar as caras entradas da Sapucaí, principalmente turistas estrangeiros e famosas celebridades.

Um maior investimento nos blocos permitiu ao Rio de Janeiro diversificar e organizar desfiles na rua para dezenas de milhares de participantes. Além do Cordão da Bola Preta, o Simpatia é Quase Amor atraiu cerca de 100 mil pessoas às ruas de Ipanema.

Salvador também não ficou para trás. Além dos trios elétricos passando por três tradicionais circuitos, a cidade organizou neste ano desfiles de blocos em diferentes ruas e apresentações de bandas em vários bairros.

Após o desfile do Galo de Madrugada no sábado, o Recife transferiu suas festas para a vizinha Olinda, cujas ruas históricas serão percorridas hoje e amanhã por cerca de 190 blocos e 50 bonecos gigantes ao ritmo do frevo e do maracatu. EFE cm/sa

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.