Rio de Janeiro, 19 mai (EFE) - O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Governo federal lançaram hoje o 3º Congresso Mundial Contra a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, que reunirá entre 25 e 28 de novembro representantes de 130 países no Rio de Janeiro.

A iniciativa do Unicef, lançada em cerimônia no Palácio Guanabara e presidida pela primeira-dama do Brasil, Marisa Letícia, seguirá as já realizadas em Estocolmo (Suécia) em 1996 e em Yokohama (Japão) em 2001.

"Nessas reuniões, conseguimos colocar o problema na agenda mundial, mas desta vez não queremos nos reunir para produzir resoluções, e sim para desenhar planos de combate a esse crime e estabelecer metas de redução do problema", afirmou a representante do Unicef no Brasil, Marie-Pierre Poirier.

A representante da organização da ONU admitiu que os estudos globais indicam que o problema da exploração sexual da infância está crescendo no mundo todo e tomando novas proporções como conseqüência das inovações tecnológicas, como a internet.

Ela acrescentou que, além de ser um problema cotidiano nas cidades gerado pela demanda, pobreza e violência doméstica, também se transformou em uma dura realidade nos conflitos armados e nos desastres ambientais.

Por sua parte, Marisa Letícia indicou que aceitou o convite "como mãe, avó e primeira-dama".

"Minha intenção é participar do Congresso e dar todo o apoio necessário para melhorar a situação da infância no Brasil", acrescentou a esposa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O Governo estima que o Congresso deve reunir cerca de três mil representantes de 130 países, em alguns casos em nível presidencial e ministerial, assim como 300 jovens que participam de movimentos de combate à prostituição infantil.

Em entrevista à Agência Efe, Poirier explicou que o Congresso promoverá uma aliança estratégica entre organizações multilaterais como o Unicef, os Governos e as ONGs.

Os cinco temas centrais serão formas de exploração sexual comercial e novos cenários, marco legal, políticas intersetoriais integradas, iniciativas de responsabilidade social e estratégias de cooperação internacional.

O secretário especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, afirmou que o Brasil promoverá nos próximos meses encontros preparatórios para definir a agenda para as oficinas, seminários e painéis do evento.

Segundo Vannuchi e Poirier, o Brasil, apesar de seus problemas de prostituição infantil, foi escolhido como sede por contar com iniciativas importantes, como um projeto que estimula a rede hoteleira a combater o turismo sexual.

Há também uma iniciativa que proíbe que pousem no país vôos fretados no exterior por grupos que promovem este problema e um sistema de denúncias por telefone. EFE cm/db

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.