Richard Gere comemora 60 anos como grande ativista humanitário

Antonio Martín Guirado. Los Angeles (EUA), 31 ago (EFE).- Sedutor e fascinante, seja como jovem mulherengo ou multimilionário maduro, Richard Gere, dono dos cabelos brancos mais charmosos de Hollywood, completa hoje 60 anos longe dos holofotes e dedicado a sua faceta humanitária.

EFE |

Ele nunca foi considerado um grande ator e nunca precisou disso.

Em 1999, Gere foi considerado o homem mais sexy do mundo pela revista "People", a mesma publicação que, seis anos antes, tinha declarado o casal formado pelo astro e pela ex-modelo Cindy Crawford como o mais atraente do planeta.

Gere sempre soube quais eram seus pontos fortes: além dos cabelos brancos, que começaram a ficar conhecidos no início da década de 1990 em produções como "Justiça Cega" ou "Desejos", soube explorar sua elegância e serena forma de ser.

O artista também aperfeiçoou com o tempo o olhar de candura que conquistou corações de forma escalonada até o sucesso "Uma Linda Mulher".

Porém, antes de a prostituta Vivian (Julia Roberts) deixar as ruas para cair nos braços do executivo interpretado por Gere, o ator já sabia o que era faturar um sucesso em Hollywood.

A carreira de Gere começou com o pé direito pelas mãos de Paul Schrader em "Gigolô Americano" (1980) e dois anos depois o diretor Taylor Hackford colocou no ator o uniforme da Marinha americana - que caiu como uma luva nele - para provocar alguns dos maiores suspiros da década em "A Força do Destino" (1982).

A trilha sonora do filme - particularmente o tema "Up Where We Belong", interpretado por Joe Cocker e Jennifer Warnes-, e as expressões de Debra Winger fizeram o resto para lançar Gere como o novo grande astro da indústria do cinema americano.

Depois viriam "The Cotton Club" (1984), de Francis Ford Coppola, "No Mercy" (1986), com Kim Bassinger, e "Justiça Cega" (1990), junto a Andy García.

E então chegou "Uma Linda Mulher", possivelmente a comédia romântica mais famosa dos anos 90 e um dos filmes de maior bilheteria dessa década, com mais de US$ 460 milhões no mundo todo.

Quase dez anos depois a mesma equipe, comandada pelo diretor Garry Marshall, se reuniu de novo na comédia "Noiva em fuga", que, apesar de ter tido um orçamento muito maior, ficou abaixo do valor arrecadado pelo primeiro filme com Roberts e Gere.

Nessa época o ator já tinha se divorciado da modelo Cindy Crawford, com quem foi casado de 1991 a 1995, e tinha mantido seu status em Hollywood graças a trabalhos como "Sommersby - O Retorno de um Estranho" (1993), "Mr. Jones" (1994) ou "As Duas Faces de um Crime" (1996).

Ao mesmo tempo, Gere embarcava em campanhas ecológicas e de conscientização contra a aids.

A Academia de Hollywood, porém, jamais lhe valorizou. Não só porque nunca foi candidato ao Oscar, mas também porque houve uma época na qual sua presença foi proibida na premiação pelas declarações que fez contra a China durante a cerimônia de 1993.

Gere, budista praticante há mais de 35 anos, está há décadas envolvido em campanhas humanitárias em favor dos direitos humanos e se transformou em defensor da liberdade do Tibete contra a ocupação chinesa, e do retorno do dalai lama à China, após 50 anos de exílio no norte da Índia (Dharamsala).

O astro, atualmente casado com Carey Lowell, sempre se mostrou muito crítico ao regime comunista chinês, e, da mesma forma que grupos de direitos humanos como a Anistia Internacional, denunciou que etnias minoritárias, como a tibetana e a uigur, sofrem uma repressão sistemática por parte desse Governo.

"O dalai lama é um pragmático", admitiu Gere há anos. "Ele é consciente de que é irreal aspirar à independência do Tibete. Todos os países do mundo estão fazendo negócios com a China, portanto não há outra solução além da convivência", afirmou.

Gere admira profundamente "a incumbência" do dalai lama de "gerar amor e compaixão", mas reconhece que não poderia se dedicar exclusivamente a isso porque, simplesmente, adora fazer filmes.

Isso continua sendo demonstrado nos últimos anos, com obras populares como "Chicago" (2002) - pelo qual ganhou seu único Globo de Ouro - ou "Infidelidade" (2002) e "Noites de Tormenta" (2008), com sua grande amiga Diane Lane.

Ele ainda estreia este ano a produção "Hachi", sobre um cachorro abandonado. EFE mg/db

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