A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, admitiu implicitamente nesta quinta-feira a impossibilidade de um acordo de paz entre Israel e os palestinos em 2008, pedindo a manutenção dos progressos realizados antes de colocar o cargo à disposição.

"Esperamos que o processo de Annapolis (a conferência sobre o Oriente Médio organizada no fim de 2007 nos Estados Unidos) tenha permitido assentar as bases para a criação de um Estado palestino", declarou Rice aos jornalistas presentes em seu avião, que pousou nesta quinta-feira em Tel Aviv, primeira etapa de uma viagem pela região.

"É importante manter todos os progressos que foram realizados" desde o lançamento deste processo, sob o impulso do presidente George W. Bush, acrescentou Rice.

Em Washington, a Casa Branca admitiu abertamente nesta quinta-feira que a conclusão de um acordo de paz israelense-palestino antes do fim deste ano - a meta estabelecida sob a presidência de Bush - é improvável. "Não acreditamos que tal acordo aconteça" antes de 2009, declarou a porta-voz Dana Perino.

De acordo com a imprensa israelense, Rice pode deixar à próxima administração americana um documento definindo os parâmetros de uma resolução.

Citando fontes diplomáticas, o jornal Jerusalem Post afirmou na edição de hoje que este documento "resumirá a evolução das negociações e definirá o que ainda tem que ser feito para chegar a um acordo".

As negociações se encontram atualmente em um impasse, devido ao prosseguimento da colonização judaica na Cisjordânia, às dissensões palestinas e à incerteza política em Israel.

Condoleezza Rice garantiu que seguirá trabalhando no caso até seu "último dia" como secretária de Estado.

"Israel está em pleno período eleitoral, e isso limita as capacidades de um governo de concluir sobre o que constitui o ponto central do conflito entre israelenses e palestinos. Contudo, penso que podemos seguir adiante nesta direção", destacou.

Rice deve se reunir em Tel Aviv com o primeiro-ministro israelense Ehud Olmert, que dirige um governo de transição depois de ter renunciado, em setembro passado, e com sua colega Tzipi Livni, antes de seguir para Ramallah, na Cisjordânia, para se encontrar com o presidente palestino Mahmud Abbas.

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