A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, viajou neste sábado a Jenin, na Cisjordânia, onde a segurança foi restabelecida mediante a mobilização de centenas de policiais palestinos combinada a um programa de ajuda americano.

Antigo feudo do Hamas, Jenin era palco de violentos combates entre forças israelenses e palestinas, mas se tornou um modelo dos esforços empreendidos pelo presidente palestino, Mahmud Abbas, para restabelecer sua autoridade na Cisjordânia, ocupada desde a retomada das negociações com Israel, há um ano.

O comboio de Rice passou por postos de controle do Exército de Israel para entrar em Jenin, no norte da Cisjordânia, onde a secretária de Estado fez uma visita junto com o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad.

Ela também estava acompanhada pelo coordenador da segurança americana para a região, o general Keith Dayton, que ajudou a reorganizar as forças de segurança da Autoridade Palestina.

O governador de Jenin, Qadura Mussa, destacou que a segurança melhorou muito na cidade, e que as operações do Exército israelenses se tornaram menos freqüentes nos últimos meses. O general Dayton acrescentou que as operações israelenses diminuíram cerca de 40% em um ano.

Cerca de 1.200 policiais foram mobilizados nos últimos meses em Jenin com o objetivo principal de prender e desarmar os membros do Hamas, que tomou o poder em Gaza em junho de 2007.

A visita de Rice coincidiu com um novo episódio da rivalidade entre palestinos.

Um diálogo de reconciliação previsto para segunda-feira no Cairo foi adiado neste sábado a pedido do Hamas, que acusou o presidente Abbas de ter ordenado a detenção de centenas de seus membros na Cisjordânia.

A Autoridade Palestina também mobilizou policiais em Nablus, e mais recentemente em Hebron.

O programa de ajuda americano às forças da Autoridade foi acelerado depois da tomada de poder do Hamas em Gaza.

Israel, que aprovou os esforços de Abbas e autorizou estas mobilizações de policiais armados, continua, no entanto, controlando a Cisjordânia, onde seus soldados seguem realizando operações, inclusive em Jenin.

Rice chegou quinta-feira à região, onde se encontrou com os dirigentes israelenses, palestinos e jordanianos antes de participar, domingo, de uma reunião do Quarteto para o Oriente Médio em Sharm el-Sheikh, no Egito.

Autor do último plano de paz israelense-palestino, o Quarteto (Estados Unidos, Rússia, União Européia e ONU) deve ouvir um relatório dos responsáveis israelenses e palestinos sobre a evolução do processo de paz, que não registrou progressos reais desde que foi reativado, em novembro de 2007.

Rice se esforça para garantir a perenidade do processo de paz relançado em Annapolis, nos Estados Unidos, depois da mudança de administração americana, marcada para o dia 20 de janeiro, quando o presidente eleito, Barack Obama, assumirá oficialmente o poder.

Sexta-feira, ela se disse "certa" de que os palestinos terão um Estado em breve. "Os palestinos são pessoas dignas, e estou certa de que eles terão em breve um Estado à altura desta dignidade", afirmou.

Ela rejeitou a idéia de um "fracasso" das negociações entre israelenses e palestinos, mas admitiu que a meta de concluir um acordo ainda em 2008 dificilmente será cumprida.

"Temos que mostrar que a conferência de Annapolis assentou as bases para a eventual criação de um Estado palestino", declarou.

Ela afirmou que transmitirá ao novo governo americano uma demanda palestina de manutenção "do mecanismo de vigilância, e do papel preponderante dos Estados Unidos neste mecanismo".

O objetivo deste mecanismo, instalado logo depois da conferência de Annapolis, é vigiar o respeito pelas duas partes das obrigações contidas no Mapa do Caminho, o plano do Quarteto que prevê o conngelamento da colonização judaica nos territórios palestinos e o fim dos ataques palestinos contra Israel.

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