Rice viaja à Líbia para reunião histórica com Kadhafi

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, iniciou nesta sexta-feira em Trípoli um encontro histórico com o líder líbio Muammar Kadhafi, ex-inimigo dos Estados Unidos.

AFP |

O encontro, que começou com uma hora de atraso, está sendo mantido em Bal al-Azizia, a residência de Kadhafi em Trípoli, um complexo onde a filha adotiva do dirigente faleceu em um bombardeio americano ordenado em 1986 pelo então presidente americano Ronald Reagan.

Com esta primeira visita à Líbia de um chefe da diplomacia americana em 55 anos, Rice quer marcar um dos raros sucessos diplomáticos do governo Bush e mostrar à Coréia do Norte e ao Irã os benefícios que poderiam obter se abrissem mão de suas armas de destruição em massa.

Rice, que chegou a Trípoli às 17H15 locais (12H15 de Brasília), se reuniu imediatamente com seu colega líbio Abdel Rahman Chalgham, com quem conversou sobre o Irã, o terrorismo e o petróleo, segundo a agência líbia Jana.

"Trata-se de um momento histórico", declarou Rice em Lisboa, antes de viajar à capital líbia.

"Sinceramente, nunca pensei que viajaria à Líbia", disse ela aos jornalistas no avião que a levava a Trípoli.

"É um início, uma abertura, não é o fim da história", destacou.

"Existe um longo caminho para percorrer. Penso, porém, que esta visita mostrou que os Estados Unidos não têm inimigos permanentes e que quando países estão dispostos a empreender mudanças estratégicas de orientação, os Estados Unidos estão prontos para responder", prosseguiu.

Chalgham declarou que os temas principais de sua reunião com Rice foram a situação das relações bilaterais, "sobretudo no setor do petróleo", e "a cooperação internacional no âmbito da luta contra o terrorismo".

Também foram mencionados durante a reunião o Iraque, o Líbano, o conflito israelense-palestino, as "relações entre Estados Unidos e Síria, a importância do papel da Síria no mundo árabe" e "a necessidade de encontrar uma solução para as tensões" entre Washington e Teerã, enumerou o chanceler líbio, citado pela agência oficial líbia Jana.

Antes de sua chegada a Trípoli, Rice destacou o "papel importante que a Líbia pode desempenhar - e já desempenha - no Magreb e na União Africana", e ressaltou o desejo de conversar com Kadhafi sobre o Sudão.

"Quero conversar sobre a forma como a Líbia está mudando, porque uma Líbia mais aberta é algo positivo, tanto para a própria Líbia quando para a comunidade internacional", declarou então.

Rice também queria conversar com Kadhafi sobre a questão dos direitos humanos, principalmente sobre o caso do opositor líbio Fathi al-Jahmi, 66 anos, cujo irmão vive em exílio em Boston.

Em Washington, a Casa Branca elogiou nesta sexta-feira a abertura de "um novo capítulo" nas relações bilaterais.

O presidente da Companhia petroleira nacional líbia, Chokri Ghanem, considerou nesta sexta-feira que "o petróleo será a parte mais importante das relações americano-líbias.

"As exportações de petróleo devem aumentar mais ainda, em paralelo ao aumento da produção líbia", disse ele à AFP.

Rompidas em 1981 por causa do suposto apoio da Líbia ao terrorismo, as relações entre Washington e Trípoli somente foram restabelecidas em 2004, depois do anúncio por Kadhafi de que seu país desistia de adquirir armas de destruição em massa.

A visita de Rice à Líbia também foi possível graças à assinatura, no mês passado, de um acordo sobre a indenização das vítimas americanas do conflito entre os dois países, nos anos 80.

A secretária americana de Estado deve deixar Trípoli na noite desta sexta-feira rumo à Tunísia, antes de seguir para a Argélia e o Marrocos.

sl/yw

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