Rice viaja à Europa tentando unir Otan e UE contra a Rússia

Paco G.Paz Washington, 17 ago (EFE).

EFE |

- A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, viaja amanhã a Bruxelas para formar um bloco comum com a União Européia (UE) e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra à Rússia, país que os Estados Unidos exigem que cumpra o cessar-fogo e abandone imediatamente a Geórgia.

Em várias entrevistas para canais de televisão, Rice e o secretário de Defesa Robert Gates se mostraram céticos quanto à possibilidade de a Rússia iniciar amanhã a retirada de suas tropas, como anunciou Moscou, embora ambos tivessem advertido que a recusa russa pode gerar graves conseqüências.

Entre as medidas que os EUA querem discutir com seus aliados, está a de excluir a Rússia dos organismos internacionais que este país deseja fazer parte, como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), além de excluí-la do Grupo dos Oito (G8, que reúne os sete países mais desenvovlidos e a Rússia).

"Qualquer noção de que a Rússia é um Estado responsável e preparado para se integrar às instituições internacionais de âmbito político, diplomático, econômico e de segurança, mudou. Agora temos uma Rússia diferente", declarou Rice à rede de televisão "Fox".

No mesmo sentido, Gates apontou que caso a Rússia não cumpra com o cessar-fogo, sua opinião "é de que os russos devem se submeter às conseqüências por suas ações contra um Estado soberano".

Rice explicou que se a Rússia não cumprir com o prometido, "não haverá dúvida de que terá conseqüências adicionais" além das que já ocorreram por seu isolamento internacional.

"A imagem de uma Rússia moderna e avançada, como a descrita há um mês pelo presidente Dmitri Medvedev, foi desfeita agora. Isso já supõe uma conseqüência direta para esse país", defendeu a secretária de Estado.

"Além disso, os russos não fizeram nada além de estragar suas relações com outros vizinhos como a Ucrânia e a Polônia. Acho que Moscou cometeu um grave erro", explicou Rice.

A secretária de Estado já iniciou conversas com seus aliados para avaliar a possibilidade de excluir a Rússia dos organismos internacionais.

Rice anunciou que na terça-feira participará da reunião extraordinária de ministros de Assuntos Exteriores da Otan para analisar com seus aliados "que mensagem" devem levar, "e em que formato".

No entanto, a secretária de Estado descartou que serão tomadas medidas "precipitadas".

"Vamos aproveitar nosso tempo para avaliar que conseqüências terão as ações da Rússia em nossas relações com este país", esclareceu.

No entanto, o Governo americano espera que a Rússia dê um passo positivo ao cumprir sua palavra de retirar toda a presença militar da Geórgia a partir de amanhã.

"Espero que desta vez honrem sua palavra", declarou Rice, em uma entrevista à rede "NBC".

Rice lembrou que a Rússia já se comprometeu em suspender as atividades militares assim que a Geórgia assinasse o acordo de cessar-fogo, e não o cumpriu.

"Desta vez espero que digam de verdade. O presidente russo deve demonstrar que pode cumprir sua palavra, ou de outra maneira o povo se perguntará se pode confiar na Rússia", afirmou Rice.

Em entrevista à rede "CNN", Gates também duvidou que a Rússia realize uma retirada rápida de tropas.

"No meu ponto de vista, os russos provavelmente ficarão na defensiva e tomarão mais tempo do que gostaríamos. Acho que devemos continuar mantendo a pressão e nos assegurar que cumprem com o acordo assinado no tempo previsto", disse o chefe do Pentágono.

Gates alertou, além disso, que a Rússia está dando mostras que quer voltar ao seu passado "autoritário", e isso obrigará os EUA a reavaliar o tipo de relação que existe entre as duas potências.

"Existe uma preocupação real de que a Rússia esteja alterando seu rumo, olhando mais para o passado do que para o futuro, e espero que nas próximas semanas vejamos ações que nos permitam descartar este temor", comentou Gates. EFE pgp/bm/rr

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