Rice procura apoio de aliados árabes antes da reunião dos vizinhos do Iraque

Abu Dhabi, 21 abr (EFE) - A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice conseguiu hoje apoio de seus aliados para sustentar a posição de Washington em relação a como apoiar o Governo de Bagdá, na véspera da reunião no Kuwait com os países vizinhos ao Iraque.

EFE |

A abertura das embaixadas árabes no Iraque e o cancelamento da dívida iraquiana, avaliada em cerca de US$ 40 bilhões, foram o foco da reunião que Rice manteve hoje no Barein com os membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), segundo a imprensa.

Além da aliança política e econômica, integrada por Arábia Saudita, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Barein e Omã, nesse encontro estiveram presentes o Egito e a Jordânia, dois importantes aliados dos Estados Unidos.

Na reunião, esteve presente pela primeira vez o ministro de Assuntos Exteriores do Iraque, Hoshiyar Zebari.

Rice disse em Manama, capital do Barein, que os participantes aceitaram que o Iraque seja representando nas reuniões "consultivas" que esses países terão no futuro.

Segundo fontes barenitas, Zebari explicou a seus colegas do CCG, dos EUA, do Egito e da Jordânia, a atual situação de segurança no Iraque e exigiu um maior apoio político e diplomático árabe ao Governo do primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki (xiita).

O ministro iraquiano disse também que vários países árabes se comprometeram a reabrir suas embaixadas em Bagdá e que "a situação no Iraque melhorou muito".

Os participantes da reunião assinaram um comunicado com o nome de "Declaração de Manama" no qual se comprometem a "prosseguir os acordos e consultas" entre eles em prol "da estabilidade no Oriente Médio".

No comunicado, no entanto, não aparece nenhum compromisso claro dos estados árabes representados na reunião em retomar suas representações diplomáticas na capital iraquiana.

Esses países, todos governados por regimes sunitas, exigiram repetidas vezes que o Governo de Maliki, controlado pelos xiitas, se esforce pela reconciliação nacional, e que a minoria sunita - que governava no Iraque até a derrocada do regime de Saddam Hussein, em 2003 - tenha um papel ativo no processo político.

Mesmo assim, várias autoridades kuwaitianas e barenitas apoiaram as declarações feitas ontem por Condoleezza Rice em Bagdá sobre a melhora da segurança no Iraque, e destacaram a importância de atuar para reintegrar esse país na comunidade árabe e internacional.

O ministro de Assuntos Exteriores do Kwait, xeque Mohamad Sabah al Salem Al-Sabah, afirmou, além disso, que seu país abrirá uma embaixada na capital iraquiana, pela primeira vez desde agosto de 1990, quando o Exército de Saddam Hussein ocupou o Kuwait por seis meses.

O xeque Mohamad explicou que o Kuwait procura um edifício adequado para a embaixada de seu país na protegida "zona verde", e espera que o Governo de Maliki nomeie um "embaixador no Kuwait".

A Arábia Saudita e o Barein tinham anunciado também sua intenção de reabrir suas representações diplomáticas no Iraque, embora não o tenham feito ainda alegando falta de segurança na região.

Na conferência de Manama foram discutidos também assuntos como uma forma de apoiar a negociação entre Israel e os palestinos "moderados" e de ajudar na obtenção de uma solução adequada para crise libanesa, acelerando o processo de escolha de um presidente para este país.

A chefe da diplomacia americana declarou, antes de ir essa tarde para o Kwait, que a crise libanesa será tratada, além disso, à parte da reunião ministerial que os países vizinhos ao Iraque realizarão amanhã.

Na conferência do Kuwait estarão os ministros de Exteriores dos países fronteiriços ao Iraque - Arábia Saudita, Kuwait, Irã, Turquia, Síria e Jordânia - além do Egito e do Barein, e de representantes do G8, do CCG e da Liga Árabe.

Tanto Rice como o ministro de Assuntos Exteriores do Irã, Manushehr Mottaki, descartaram uma reunião direta entre os dois no Kuwait. EFE fa/rr/fb

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