Rice pressiona o Paquistão a cooperar com a Índia na investigação dos atentados

NOVA DÉLHI - A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, pressionou nesta quarta-feira o Paquistão a cooperar plenamente e com transparência com a Índia na investigação dos atentados de Mumbai, imputados por Washington e Nova Délhi a um grupo islamita com base no Paquistão.

AFP |

Depois de chegar a Nova Délhi para encontrar os dirigentes indianos, Rice pediu ao Paquistão que responda "rapidamente e de forma transparente" às acusações indianas segundo as quais os autores dos ataques teriam vindo do outro lado da fronteira.

As relações entre os dois países, vizinhos e rivais, são tensas desde os ataques que deixaram 188 mortos entre 26 e 29 de novembro em Mumbai, a capital econômica da Índia.

"O Paquistão deve agir de forma urgente e com determinação, e cooperar plenamente e com transparência", declarou, antes de se encontrar com o ministro indiano dos Assuntos estrangeiros, Pranab Mukherjee, e o primeiro-ministro, Manmohan Singh.

"Esta mensagem será transmitida ao Paquistão", acrescentou Rice, que deve ir quinta-feira a Islamabad.

Ela se recusou a "se precipitar para tirar conclusões e dizer quem é responsável" e considerou que "estes atentados são, claramente, o tipo de terrorismo que tem participação da Al-Qaeda".

"É hora de todos cooperarem e de forma transparente, é em particular a hora de o Paquistão agir", destacou, acrescentando que os EUA estão "ativamente" envolvidos numa troca de informações.

Um responsável do governo indiano indicou antes que Índia iria apresentar a Rice provas de uma conexão com o Paquistão.

"Vamos mostrar transcrições de conversas por telefone satélite que estabelecem uma ligação entre os terroristas e seus chefes paquistaneses", indicou este responsável sob anonimato.

"Temos provas, descobertas a partir dos telefones, que mostram de onde as ligações foram feitas e para quem elas foram feitas", acrescentou.


Soldado indiano observa destruição após ataque em estação de trem / Reuters

Alvos ocidentais

Os ataques visaram cerca de dez alvos em Mumbai, entre eles dois hotéis internacionais com inúmeros clientes, em particular estrangeiros, que foram pegos como reféns.

Segundo um alto responsável do departamento de Estado, Rice deve pressionar durante sua viagem a Índia e o Paquistão, dois aliados dos EUA, para que eles cooperem e troquem informações, apesar das relações difíceis de vizinhança que mantêm.

O diretor de inteligência americano, Mike McConnell, acusou sem o citar o Lashkar-e-Taïba, um grupo islamita ilegal com sede no Paquistão, mas que atua na região da Cachemira no Himalaia, de estar na origem destes atentados.

Nova Délhi afirma que todos os islamitas que lançaram os ataques em Mumbai saíram do porto paquistanês de Karachi (sul) e que foram treinados e orientados rumo a seus alvos pelo Lashkar-e-Taïba.


Indiano observa o hotel Taj Mahal, atingido pelos ataques da última semana / AP

Islamabad ofereceu trabalhar com Nova Délhi. A Índia pede ao Paquistão a extradição de cerca de 20 pessoas que ela considera envoldidas nestas ações, entre elas Hafeez Sayeed, o chefe do Lashkar-e-Taïba.

Segundo o Wall Street Journal, a polícia indiana acredita ter identificado, graças aos interrogatórios do único assaltante capturado vivo, o cérebro dos atentados na pessoa de Yusuf Muzammil, chefe das operações do Lashkar-e-Taïba, que estava nesta lista.

Em Mumbai, está sendo organizada uma manifestação para a noite desta quarta-feira, uma semana depois do início dos ataques, em frente ao hotel Taj Mahal, um dos alvos dos atentados, para pedir às autoridades que protejam melhor os cidadãos.

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