Rice não consegue contenção de avanço de assentamentos judaicos em Jerusalém

Jerusalém, 16 jun (EFE).- A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, encerrou hoje uma nova visita a Israel e aos territórios palestinos sem conseguir a contenção do avanço dos assentamentos judaicos e com a advertência israelense de que Jerusalém poderá ficar de fora de um acordo de paz.

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Rice deixou a região com destino ao Líbano com uma clara mensagem do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, de que seu Governo não deterá a construção dos assentamentos nem nas colônias da Cisjordânia, as quais deseja anexar em um futuro acordo de paz, nem em Jerusalém.

"Não vamos expropriar mais terras palestinas, mas continuaremos construindo bairros judeus em Jerusalém, os quais esperamos que fiquem em nossas mãos", foi a mensagem taxativa de Olmert à secretária de Estado no encontro entre ambos.

Pouco antes, em Ramala, Rice tinha alertado sobre o "impacto negativo" da expansão das colônias judaicas no processo de paz, e afirmou que Washington não reconhecerá as novas casas como linha fronteiriça entre Israel e o futuro Estado palestino.

Enquanto Rice criticava, uma comissão do Ministério do Interior israelense aprovava um plano de urbanização em massa em Jerusalém com 40 mil novas casas, mais de duas mil delas na parte leste, onde os palestinos querem fixar sua capital.

Gidi Schmerling, porta-voz da Prefeitura, disse que o plano procura "fazer com que os jovens voltem", e inclui projetos em bairros judeus na área ocupada como Har Guiló, Ramot, Har Homa e Ramat Shlomo, e nos árabes de Beit Hanina, Issawie, Shuafat e At Tur, onde há população palestina.

"Jerusalém não é um assentamento", esclareceu o prefeito ultra-ortodoxo Uri Lupolianski, ciente de que suas iniciativas não serão atacadas por Olmert, que há dois meses está na corda bamba por um escândalo de suborno.

Rice, que apesar da crise política em Israel ainda deseja chegar a um acordo antes do fim de 2008, também exigiu hoje que os israelenses adotem medidas para melhorar a vida da população da Cisjordânia e, com isso, contribuir para o desenvolvimento econômico da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

A secretária fez as declarações em reunião trilateral com o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, e com o primeiro-ministro da ANP, Salam Fayyad, no que já se tornou uma espécie de rotina em cada uma de suas visitas.

"Israel continuará apoiando e impulsionando projetos econômicos na Judéia e em Samaria (nomes bíblicos da Cisjordânia)", afirmou Barak, em resposta ao pedido, no que parece ser a única conquista da sexta missão de paz de Rice à região neste ano.

Essas missões vêm ocorrendo com maior freqüência para tentar alcançar um objetivo do qual nem palestinos nem israelenses parecem muito convencidos de que seja possível conseguir.

Há duas semanas, o negociador-chefe palestino, Ahmed Qorei, afirmou que só um "milagre" trará a paz este ano. Hoje, o porta-voz de Olmert, Mark Regev, alertou que seu país acha "difícil" que os pontos mais difíceis envolvendo Jerusalém sejam resolvidos antes de dezembro.

Em uma visita para jornalistas às localidades israelenses vizinhas à Faixa de Gaza, Regev afirmou que o acordo que será fechado em 2008 "dificilmente incluirá um acordo final sobre Jerusalém, mas estabelecerá um marco para continuar negociando".

Ele reconheceu que Jerusalém é agora o assunto mais delicado da negociação lançada na conferência de Annapolis (Estados Unidos) de novembro do ano passado, com o propósito de estabelecer neste mesmo ano as bases para a criação de um Estado palestino. EFE aca/ev/gs

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