Rice insiste para que israelenses e palestinos sigam dinâmica de negociação

Daniela Brik. Jerusalém, 26 ago (EFE).- A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, encerrou hoje uma visita de dois dias a Israel e à Cisjordânia, com a mensagem de que a dinâmica da negociação para conseguir um acordo de paz no Oriente Médio deve continuar.

EFE |

"Acho que é frutífero ver ambas as partes (...) trabalhando juntas no processo de negociação. Nosso trabalho é manter esta dinâmica e seguir analisando todas as questões", afirmou hoje após reunião com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, na cidade cisjordaniana de Ramala.

O líder da ANP insistiu em sua intenção de alcançar, antes do fim do ano, um acordo de paz global e completo com Israel - e não um documento parcial - como, segundo ele, propôs o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert.

Foi o que expressou Abbas diante da chefe da diplomacia americana, durante sua sétima visita à região desde que israelenses e palestinos decidiram retomar o processo de paz na conferência de Annapolis (Estados Unidos) em novembro passado, com o objetivo de chegar a um acordo para o estabelecimento de um Estado palestino.

"Analisamos as vias para alcançar um acordo de paz pleno, e não um parcial que adie outras questões. A solução deve ser global", ressaltou Abbas.

As declarações de Rice e Abbas foram feitas depois de um encontro com os chefes das delegações negociadoras de Israel e da ANP, a fim de revisar os últimos resultados das conversas de paz, cujo conteúdo se mantém em segredo e que, após nove meses, não produziram nenhuma conquista visível.

Apesar de só restarem pouco mais de quatro meses para o fim do ano, prazo fixado entre as partes para conseguir um acordo definitivo, Rice reconheceu as "dificuldades" do processo, mas segue incentivando um acordo e reforçando a idéia de que se devem evitar medidas que prejudiquem a frágil confiança entre ambas as partes.

Em entrevista coletiva prévia nesta manhã em Jerusalém, junto à titular de Exteriores e chefe da equipe negociadora israelense, Tzipi Livni, Rice reconheceu que a construção de assentamentos judaicos não ajuda o processo de paz.

"Não é nenhum segredo, e assim eu disse a meus colegas israelenses, que não acho que a atividade dos assentamentos ajude o processo. De fato, o que se requer agora são passos que reforcem a confiança entre as partes", acrescentou.

Ela afirmou que "qualquer medida que abale a confiança deve ser evitada", embora pouco antes a ministra israelense tenha expressado seu desejo de que o processo de paz não seja afetado "por nenhum tipo de atividade nos assentamentos".

Livni reconheceu, no entanto, que compreende que o assunto afeta setores da sociedade palestina, e pediu para que "nenhum tipo de barulho relativo à situação no terreno" interfira nas negociações.

Assim como Abbas, que afirmou que os esforços realizados desde Annapolis "não são absurdos", e que eles continuam fazendo o possível para obter melhoras, Livni mostrou-se favorável ao prosseguimento da negociação.

Ela afirmou que "existe esperança de paz", que pode se ver representada pelo interesse que ambas as partes envolvidas no processo mostram.

Rice encerrou sua visita esta tarde, depois de se reunir também com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e seu titular da Defesa, Ehud Barak, assim como com os responsáveis da equipe negociadora palestina.

"Basicamente, antes da conferência de Annapolis, o processo de paz e as conversas se encontravam completamente paralisadas desde 2001", lembrou. EFE (áudio) db/ab/gs

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