Rice garante que não há uma nova Guerra Fria entre a Rússia e o Ocidente

A secretária de Estado americana Condoleezza Rice afirmou nesta quarta-feira, em Varsóvia, que a Rússia e o Ocidente não estão vivendo uma nova Guerra Fria, apesar da crise na Geórgia e das ameaças de Moscou pelo acordo sobre o escudo antimísseis na Polônia.

AFP |

"Não creio que se trate de uma nova Guerra Fria", afirmou Rice. "A Guerra Fria acabou", acrescentou em alusão ao confronto entre o bloco comunista encabeçado pela URSS e os países do Ocidente, que durou várias décadas depois da Segunda Guerra Mundial.

"É um período difícil, mas acho que não devemos exagerar o alcance das dificuldades", concluiu.

Polônia e Estados Unidos assinaram nesta quarta-feira um acordo para a instalação de elementos do escudo antimísseis norte-americano no país europeu até 2012, apesar da posição declarada a respeito por parte da Rússia.

O texto foi assinado na sede do governo em Varsóvia pela secretária de Estado norte-americana Condoleezza Rice e seu colega polonês Radoslaw Sikorski, na presença do presidente Lech Kaczynski e do primeiro-ministro Donald Tusk.

Em virtude desse acordo, Washington poderá instalar até 2012, em solo polonês, dez interceptadores capazes de destruir em pleno vôo mísseis balísticos de longo alcance. Esses interceptores serão apoiados por um potente radar implantado na República Tcheca.

Esses elementos completarão um sistema já montado nos Estados Unidos, na Groenlândia e no Reino Unido.

Oficialmente, o projeto tem como objetivo dissuadir países como o Irã de lançar mísseis de longo alcance contra território europeu, mas a Rússia o considera uma ameaça direta contra seu território.

O projeto recebeu apoio unânime da Otan em abril passado.

"Ele nos ajudará a contra-atacar as novas ameaças do século XXI, com mísseis de longo alcance de países como o Irã e a Coréia do Norte", insistiu Condoleezza Rice. "É um sistema defensivo que não visa a ninguém", acrescentou.

Mas a Rússia não está convencida disso.

"A instalação de novas forças antimísseis na Europa tem como objetivo a Federação Russa", declarou na semana passada o presidente desse país, Dimitri Medvedev.

"O momento foi bem escolhido", acrescentou, dando a entender que os Estados Unidos e a Polônia decidiram responder assim à intervenção russa na Geórgia.

jlt/dm/cn

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