Rabat, 7 set (EFE).- A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, concluiu hoje em Rabat uma viagem por quatro países do Magrebe dizendo que os Estados Unidos estão dispostos a mediar o conflito entre Marrocos e Argélia pela questão do Saara Ocidental.

O futuro da antiga colônia espanhola, que Rabat anexou há 33 anos, mas que não controla totalmente, dominou boa parte das conversas de Rice no Marrocos, um forte aliado dos Estados Unidos que considera, além disso, que Washington apóia seu plano para conceder autonomia ao território saariano.

Marrocos e Argélia divergem há décadas em relação à polêmica questão do Saara Ocidental, sem que as quatro rodadas de conversas realizadas desde o ano passado com o apoio das Nações Unidas tenham proporcionado qualquer avanço para a solução do conflito.

Na Argélia, onde Rice esteve antes de partir para o Marrocos, a secretária de Estado reuniu-se com o presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika, que a pediu ajuda para desbloquear as conversas sobre o futuro do Saara Ocidental.

Argel insistiu sobre a necessidade de Rice pressionar Rabat a realizar um plebiscito sobre a situação da antiga colônia espanhola, posição também defendida pelo movimento que luta pela sua independência, a Frente Polisário.

No Marrocos, Rice afirmou que "é tempo de solucionar este problema e de estabelecer boas relações entre Marrocos e Argélia, para poder enfrentar os desafios" e afirmou que percebeu esse desejo tanto em Rabat quanto em Argel e em Trípoli, a capital líbia.

A chefe da diplomacia americana afirmou que falou com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, sobre o conflito antes de chegar ao Marrocos e, segundo ela, "há idéias boas sobre a mesa e não será útil examinar outras e começar desde o princípio".

As declarações da secretária de Estado acontecem depois que o enviado de Ban para o conflito do Saara Ocidental, Peter van Walsum, anunciou que deixaria o cargo meses após considerar inviável a independência do território.

O Governo marroquino declarou esta semana, antes da chegada de Rice a Rabat, que conta com a "clarividência" da política externa dos EUA no tratamento do conflito do Saara e estima que Washington apóie o plano do Marrocos para esse território.

Há um ano, EUA, França, Reino Unido e Rússia promoveram uma resolução no Conselho de Segurança das Nações Unidas na qual se encorajava o Marrocos e o Polisário a demonstrarem "vontade política" para resolver a questão.

Para solucionar o problema, o Marrocos propõe uma autonomia para o território, enquanto a Frente Polisário e a Argélia defendem a realização de um plebiscito.

Com sua ida ao Marrocos, Rice concluiu uma viagem por quatro países do Magrebe que começou com uma histórica visita à Líbia, aonde um alto funcionário americano não viajava há 55 anos.

Além disso, viajou para Túnis, capital da Tunísia, e Argel, onde Rice tratou de assuntos relacionados com a cooperação militar e a luta contra o terrorismo.

A secretária de Estado destacou especialmente a contribuição da Argélia nesta luta e qualificou o país de "importante aliado" neste âmbito.

A luta contra o terrorismo é uma das maiores preocupações dos EUA no norte da África, principalmente devido aos vínculos dos terroristas argelinos do Grupo Salafista para a Pregação e o Combate (GSPC) à Al Qaeda.

A viagem da secretária de Estado a quatro países do Magrebe excluiu do itinerário uma visita à Mauritânia, onde o golpe de Estado militar de 6 de agosto foi rejeitado pelo Governo americano.

EFE hm/ab/rr

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