Rice diz que lutará por Estado palestino até deixar o cargo

Jerusalém, 6 nov (EFE).- A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, confia em que as negociações de paz entre israelenses e palestinos continuem após as mudanças de Governo em Israel e EUA e que Annapolis signifique um avanço extraordinário na história deste conflito.

EFE |

Em entrevista coletiva conjunta com a ministra israelense de Relações Exteriores, Tzipi Livni, realizada na localidade de Herzliya (ao norte de Tel Aviv), Rice afirmou que permanecerá comprometida com o objetivo do estabelecimento de um Estado palestino "até o dia em que deixar o cargo".

Em sua chegada nesta tarde a Tel Aviv, Rice manifestou que a instabilidade política de Israel, que realizará eleições antecipadas em 10 de fevereiro, tornaria difícil um acordo de paz antes de fim deste ano, tal como foi acordado na cúpula de Annapolis, realizada em 27 de novembro de 2007.

No entanto, a chefe da diplomacia americana não quer deixar o cargo sem se assegurar de que os avanços alcançados entre as partes ao longo deste ano não cairão no esquecimento.

Segundo Rice, Annapolis foi "a primeira negociação séria entre Israel e os palestinos em quase uma década", e os Estados Unidos têm "um interesse nacional em apoiar esse processo".

Rice destacou que, há oito anos, quando George W.Bush chegou à Presidência dos EUA, a Intifada estava em seu pleno apogeu e assinalou as conquistas do último ano, sobretudo os conseguidos com a construção de instituições para um futuro Estado palestino.

Esta foi -indicou- a primeira vez que um processo de paz se construiu tanto "de baixo para cima", como "de ponta a ponta".

Por sua vez, Tzipi Livni, chefe da equipe negociadora israelense e presidente do partido governante Kadima, também ressaltou a importância do alcance global de Annapolis, que combina as negociações políticas com mudanças práticas para garantir que Israel tenha "um vizinho pacífico e não um estado terrorista ao lado".

Da mesma forma que Rice, Livni reafirmou seu compromisso com Annapolis e "com a visão de dois Estados para dois povos".

"Sei que há dúvidas sobre este processo", reconheceu Livn, quem acrescentou que após muitos anos, Annapolis criou "um marco de diálogo contínuo e desenvolveu confiança básica" entre as partes.

Livni assinalou a importância de que palestinos e israelenses mantenham a negociação "dentro da estrutura que se criou" e assegurou: "Acho firmemente que a estagnação não beneficia Israel e não pode ser nossa política".

Nos próximos dias, Rice tratará de dar um último impulso ao processo de paz e conseguir que ambas as partes se comprometam a seguir negociando a partir do alcançado até agora para que as negociações deste ano não voltem à estaca zero após as mudanças de Governo em Israel e nos Estados Unidos.

Com este objetivo em mente, Rice se reunirá nos próximos dias com representantes israelenses, palestinos e do Quarteto de Madri (formado pela UE Europa, Rússia e a ONU, além dos EUA) e visitará, além disso de Israel, os territórios palestinos, Egito e Jordânia.

A secretária de Estado americana manteve hoje também um encontro privado com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e se reunirá amanhã, sexta-feira, com o líder da oposição israelense, o conservador Bejamín Netanyahu.

Posteriormente, viajará à cidade cisjordaniana de Ramala, sede da Autoridade Nacional Palestina (ANP), onde se reunirá com o presidente Mahmoud Abbas e o chefe da equipe negociadora palestina, Ahmed Qorei.

No sábado, se transferirá à cidade cisjordaniana de Jenin, onde a ANP desdobrou uma força de segurança própria, antes de viajar no domingo à localidade egípcia de Sharm el-Sheikh.

Ali se reunirá com o resto de membros do Quarteto e os representantes israelenses e palestinos, com os quais revisará o avanço das negociações de paz e de onde se espera que saia algum documento que sirva de base no futuro. EFE aca/jp

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