Ana Cárdenes Jerusalém, 15 jun (EFE).- A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, voltou hoje a alertar Israel por seguir ampliando seus assentamentos na Cisjordânia, uma política que, segundo ela, poderia minar o processo de paz com os palestinos.

Rice deixou claro que a ampliação dos assentamentos judaicos em território palestino não poderá afetar um acordo final nem determinar as futuras fronteiras de Israel determinadas por um eventual acordo de paz.

O Executivo israelense, no entanto, sustenta que, independente do acordo assinado, os grandes assentamentos na Cisjordânia e em Jesurasalém Oriental serão mantidos como parte de seu território.

Por essa razão, não suspende as novas construções apesar de isso ir de encontro às diretrizes do Mapa de Caminho, que serve de base para uma negociação com palestinos.

Em coletiva de imprensa em Ramala logo após uma reunião com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, Rice disse que o aumento nos assentamentos só serve para diminuir "a credibilidade" entre palestinos e israelenses.

Segundo a americana, neste momento, é preciso "fazer crescer a confiança entre" as duas partes.

Após seu encontro com Rice, o presidente da ANP também fez referência aos assentamentos judaicos, ao qualificá-los como "o maior obstáculo enfrentado pelo processo de paz".

Desde que Abbas e o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, se comprometeram em novembro na Conferência de Annapolis (EUA) a chegar a um acordo de paz antes do fim do ano, o Governo israelense autorizou a construção de cerca de dez mil casas em assentamentos da Cisjordânia.

Apesar disso, Abbas se mostrou otimista de que os EUA consigam ajudar ambas as partes a alcançar um acordo antes do final do ano e pediu ajuda à Rice para "convencer Israel a se comprometer com a suspensão do aumento de assentamentos".

Antes de viajar a Ramala, Rice se reuniu em Jerusalém com a ministra de Assuntos Exteriores israelense, Tzipi Livni, com quem falou sobre o problema dos assentamentos, da necessidade de frear os foguetes lançados de Gaza contra Israel, da ameaça iraniana e da melhora das condições de vida dos palestinos.

Esta tarde, Rice voltará a se reunir com Livni, que é uma das negociadoras israelenses no processo de paz, assim como com o assessor presidencial e ex-primeiro-ministro palestino Ahmed Qorei, que lidera a equipe palestina.

A secretária de Estado americana também deve se encontrar com Olmert ainda hoje em Jerusalém.

A visita de Rice seguirá amanhã, quando ela se reunirá com o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, e com o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, para tratarem juntos sobre os compromissos das duas partes para a aplicação do Mapa de Caminho.

Desde a Conferência de Annapolis em 2007, esta é a sexta visita de Rice à região para impulsionar as negociações entre Israel e a ANP.

Na conferência, o primeiro-ministro israelense e o presidente palestino chegaram ao acordo de fechar um tratado de paz ainda este ano com base no Mapa de Caminho, o plano de paz lançado em 2003 pelo Quarteto de Madri (Nações Unidas, EUA, União Européia e Rússia). EFE aca/rr

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