Rice descarta semelhança entre crise na Geórgia e independência do Kosovo

Lisboa, 5 set (EFE) - A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse hoje estar convencida da mudança de rumo que a política da Rússia tomará em relação ao conflito na Geórgia, em entrevista coletiva em Lisboa, ante-sala de sua viagem pelo Magrebe. Tenho certeza de que a Rússia entenderá que seu profundo isolamento não terá fim se não mudar de comportamento. Além disso, estou convencida de que os russos vão mudar de atitude, afirmou Rice sobre a crise na Geórgia provocada pelas ambições separatistas da Abkházia e da Ossétia do Sul.

EFE |

Ela destacou que a Rússia não conseguiu nada com sua atitude, exceto a invasão de uma pequena nação, o que, em suas palavras, gerou "a desaprovação da comunidade internacional".

A responsável pela diplomacia americana ressaltou também que não existe qualquer semelhança entre a atual crise da Geórgia e o processo que levou à independência do Kosovo.

"O caso do Kosovo aconteceu pelo colapso da antiga Iugoslávia como Estado e conseqüência da guerra da Sérvia de (Slobodan) Milosevic contra o resto do país que se decompunha", explicou Rice.

Além disso, lembrou que o reconhecimento do Kosovo como um novo Estado soberano aconteceu em decorrência do consenso generalizado da comunidade internacional.

"O reconhecimento - do Kosovo como Estado - se deu por uma vasta e ampla discussão internacional", disse, para destacar o beneplácito das Nações Unidas ao nascimento do pequeno país balcânico.

Rice ressaltou, novamente, que são duas situações "completamente diferentes", após lembrar que o reconhecimento por parte de Moscou da Abkházia e da Ossétia do Sul ocorreu em flagrante "violação ao acordo de cessar-fogo" negociado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy.

A secretária de Estado americana insistiu em que o reconhecimento da Abkházia e da Ossétia do Sul por parte da Rússia aconteceu sem que fosse respeitado o artigo sexto desse acordo, que estipula a negociação internacional nas matérias de segurança e estabilidade.

Rice lembrou também que são poucos os Estados que reconheceram, até o momento, a independência dos dois pequenos territórios do Cáucaso.

A secretária de Estado americana disse que a comparação com o caso do Kosovo não pode servir de argumento para encontrar analogias com a crise da Geórgia.

Quanto à viagem pelo Magrebe que ela iniciará hoje à tarde, Rice disse que quer conhecer em primeira mão o alcance da mudança feita pelas autoridades da Líbia.

Rice afirmou que a Líbia é um país no qual a população sofreu muito durante os últimos anos e que sempre esteve no centro da política americana.

"É um país que pode ter um papel importante na região do Magrebe e na União Africana (UA), e vamos falar sobre seu importante status nesse contexto. A Líbia é um país que está mudando e agora quero abordar a mudança das coisas ali", disse em referência ao Estado liderado por Muammar Kadafi.

A responsável pela diplomacia americana afirmou que uma Líbia aberturista beneficiaria o próprio país e a comunidade internacional.

Rice esclareceu ainda que está satisfeita com como os Estados Unidos e a União Européia (UE) colaboraram frente às recentes crises do cenário internacional e que trabalhará para continuar nessa direção.

A secretária de Estado americana visitou Portugal pela primeira vez em 2003, como conselheira de Segurança Nacional, por ocasião da reunião de líderes de EUA, Reino Unido e Espanha para falar do Iraque.

Ela voltou ao país em 2007 em uma reunião do Quarteto de Madri para o Oriente Médio (EUA, Reino Unido, Rússia e ONU) na qual se abordou o processo de paz na região.

Rice deixará Lisboa no começo da tarde rumo à Líbia, na que será a primeira visita de uma autoridade americana ao país norte-africano em 55 anos. EFE arm/db

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