A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, aumentou neste domingo o tom das críticas à colonização israelense durante sua visita a Israel e aos territórios palestinos.

Rice, que voltou à região para tentar agilizar o processo de paz, em um momento em que o governo israelense se encontra debilitado pelas suspeitas de corrupção sobre o primeiro-ministro Ehud Olmert, criticou um novo projeto de construção de 1.300 casas em um assentamento em Jerusalém Oriental.

"As atividades israelenses de colonização não afetarão as negociações sobre o estatuto final de um Estado palestino e suas fronteiras definitivas", assegurou a secretária americana em coletiva de imprensa na cidade de Ramalah, na Cisjordânia.

"Nenhuma parte deveria tomar qualquer medida neste momento que possa prejudicar os resultados das negociações. É preciso esclarecer que os Estados Unidos consideram que estas atividades de colonização não terão conseqüências sobre o estatuto final das negociações", alertou Rice.

Esta é uma das críticas mais diretas expressadas pelo governo americano ao prosseguimento da colonização israelense na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

De acordo com Rice, a continuidade da colonização e dos recentes anúncios de construção das colônias "têm um efeito negativo sobre a atmosfera das negociações". "Não queremos isso", garantiu.

Rice alertou explicitamente os israelenses que seus projetos e as novas construções nas colônias "não preocupam apenas os palestinos e seus países vizinhos, mas também a Europa", na medida em que afetam a "atmosfera de confiança" indispensável para o processo de paz.

O presidente palestino, Mahmud Abbas, considera que a colonização israelense representa o obstáculo mais importante no processo de paz.

Uma comissão israelense de planejamento urbano aprovou na terça-feira passada um projeto de construção de 1.300 casas em um assentamento de Jerusalém, próximo ao Estado hebreu.

Mark Regev, porta-voz do primeiro-ministro, reiterou a posição de Israel. "Jerusalém é Jerusalém e a Cisjordânia é a Cisjordânia", disse.

Regev fez alusão ao fato de que Israel considera a região árabe de Jerusalém, conquistada durante a guerra de junho de 1967, parte de seu território e que a construção de casas pode continuar.

A comunidade internacional, inclusive os Estados Unidos, jamais reconheceu a anexação de Jerusalém Oriental, que os palestinos querem transformar na capital de seu futuro Estado.

Rice também se reuniu neste domingo com a ministra das Relações Exteriores israelense, Tzipi Livini, o titular da Defesa, Ehud Barak, e o chefe do Estado-Maior, o general Gaby Ashkenazi.

Durante os encontros abordou os temas das colônias e insistiu em que Israel suspenda o controle rodoviário na Cisjordânia ocupada, segundo o ministério da Defesa.

Barak reiterou a importância dos controles viários devido, segundo ele, ao perigo de disparos de foguetes a partir da Cisjordânia contra o território israelense.

Logo depois, Rice participou em Jerusalém de uma reunião com Livini e o negociador palestino Ahmad Qorei.

As negociações israelense-palestinas têm o objetivo de chegar a um acordo ainda este ano.

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