Argel, 5 set (EFE).- A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, chegou esta tarde em Trípoli em uma visita histórica que, segundo ela, reflete a vontade de Washington de alcançar a paz inclusive com seus mais fervorosos inimigos, caso sejam cumpridas as leis internacionais.

Esta é a primeira visita de um alto funcionário americano à Líbia em 55 anos, 39 deles com Kadafi no poder.

Rice chegou ao aeroporto militar de Maatiga, perto de Trípoli, às 17h15 local (15h15 Brasília) e foi recebida pelo responsável líbio para Assuntos Americanos, Ahmed Fitouri, antes de se reunir com o responsável de Exteriores do país norte-africano, Abderraman Chalgham.

Durante a noite, quando se interrompe o jejum do mês sagrado do Ramadã, Rice jantará com o governante líbio, Muammar Kadafi, outrora o "grande inimigo do mundo" e principal líder de um regime que estava presente na lista americana de países terroristas há apenas dois anos.

A visita de Rice pode ser considerada o ápice de cinco anos de complicadas negociações diplomáticas com a Líbia, desde que Kadafi anunciou em 2004 que renunciava às armas de destruição em massa, um caminho que deveria ser seguido pelo Irã e pela Coréia do Norte, segundo os dirigentes americanos.

"É um momento histórico que chega após muita dificuldade e o sofrimento de muitas pessoas que nunca esqueceremos", afirmou Rice pouco antes de chegar à Trípoli, em referência às vítimas dos atentados cujo patrocínio sempre foi atribuído por Washington à Líbia.

Em meados de agosto, Líbia e EUA chegaram a um acordo sobre indenizações às vítimas de Lockerbie e dos ataques aéreos norte-americanos sobre Trípoli e Benghazi, o que pavimentou definitivamente o caminho para a visita de Rice.

Trípoli reconheceu sua responsabilidade na explosão em vôo de um avião da companhia PanAm em 1988 quando sobrevoava a cidade escocesa de Lockerbie, que causou 269 mortos, 180 deles americanos, no entanto, ainda não abonou as indenizações.

A administração Bush se comprometeu, por outro lado, a indenizar as vítimas dos bombardeios da aviação americana sobre Trípoli e Benghazi de 1986, quando morreram 41 pessoas, incluindo a filha adotiva de Kadafi, segundo a Líbia.

Desde 2004, a Líbia colaborou estreitamente com os EUA na luta contra o terrorismo internacional, segundo fontes oficiais americanas.

Mesmo assim, o presidente líbio declarou em 1º de setembro, por ocasião do 39º aniversário de seu regime, que não quer "amizade nem inimizade com os EUA", mas simplesmente "que nos deixem tranqüilos".

"Não temos interesse em estar em conflito com os EUA, mas também não aceitamos nos submeter a eles", advertiu.

Rice disse hoje que sua visita "é um princípio, uma abertura, não o fim da história" e confessou que, "sinceramente, nunca tinha pensado em viajar à Líbia".

"Há um longo caminho para percorrer, mas esta visita demonstra que os EUA não têm inimigos permanentes", disse Rice, acrescentando que seu país está disposto a estender sua mão quando outros se mostram dispostos a mudar de orientação.

A secretária de Estado americana assinará um tratado de cooperação e investimento bilateral e também abordará com Kadafi a guerra contra o terrorismo e a situação no Chade e no Sudão, segundo afirmaram fontes do Departamento de Estado americano. EFE jg/bm/ma

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