Fouad Abderrahim Abu Dhabi, 21 jul (EFE).- A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, analisou hoje em Abu Dhabi com os aliados árabes de seu país a situação no Iraque e o andamento da negociação com o Irã, cujo plano nuclear e crescente poderio militar inquietam também seus vizinhos árabes.

Na reunião estiveram presentes representantes dos países de um grupo formado por nações como EUA, Egito, Jordânia, Iraque, Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Catar, Barein e Omã, sendo que os seis últimos são membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) Pérsico.

A conferência esteve marcada pela ausência dos ministros de Relações Exteriores de cinco membros do CCG, entre eles os que possuem bases militares americanas como Kuwait, Catar e Barein.

As autoridades e a imprensa dos Emirados Árabes não divulgaram ainda detalhes sobre o conteúdo do encontro, embora fontes diplomáticas tenham dito que os árabes destacaram mais uma vez que preferem uma solução diplomática no caso do Irã.

A chefe da diplomacia americana lhes informou, por outro lado, sobre a reunião do sábado passado em Genebra entre o principal negociador iraniano na questão nuclear, Saeed Jalili, e o grupo formado pelo Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha.

Rice acusou hoje mesmo o Irã, antes de chegar aos Emirados Árabes, de não levar a sério a negociação de Genebra, e advertiu Teerã com novas medidas punitivas caso não responda de forma clara dentro de duas semanas ao pacote de incentivos do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha.

Após a reunião de Genebra, que contou com a presença do subsecretário de Estado dos EUA, William Burns, o chefe da diplomacia da UE, Javier Solana, disse que Jalili não ofereceu uma resposta concreta ao plano Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha, que exige que o Irã suspenda o enriquecimento de urânio, uma matéria de uso militar e civil.

Além disso, o porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, advertiu que Teerã "tem que escolher entre a cooperação ou o confronto".

Jalili diminuiu importância a estas advertências e afirmou hoje em seu retorno a Teerã que a questão do enriquecimento de urânio, que os iranianos consideram "indiscutível", "não foi tratada em Genebra".

"Todas as partes têm suas alternativas. Todo o processo dependerá de se olhamos para o futuro de um ponto de vista de cooperação e colaboração positiva ou com inquietação mútua e visões não positivas", disse o negociador iraniano.

A crescente tensão entre EUA e Irã e as últimas ameaças iranianas contra a força naval americana no Golfo aumentaram a inquietação dos aliados de Washington nesta região, todos com fronteiras marítimas com a República Islâmica.

Apesar de terem suas dúvidas sobre o programa nuclear e as intenções de Teerã, os estados do CCG temem que um conflito no Golfo prejudique suas exportações de petróleo, lhes prive de receitas astronômicas pela venda de petróleo e suspenda seus planos de desenvolvimento.

O príncipe herdeiro de Abu Dhabi, xeque Mohammed bin Zayed, reiterou hoje perante Rice que os árabes preferem "a via diplomática e as soluções pacíficas para solucionar os conflitos da região", informa a agência "WAM".

Este encontro, o segundo desde o que aconteceu em abril no Barein, e o primeiro ao qual o Iraque comparece, acontece duas semanas depois de o Irã testar vários mísseis de médio e longo alcance e ameaçar "queimar" Israel e a força naval dos EUA no Golfo Pérsico se as instalações atômicas iranianas forem atacadas.

Os Emirados Árabes dispõem da economia mais dinâmica da região e sua troca comercial com o Irã supera os US$ 11 bilhões por ano.

Com relação ao Iraque, o Governo dos Emirados deu este mês um importante passo para a normalização de suas relações com Bagdá, tal como exige Washington, ao anunciar a nomeação de seu novo embaixador neste país e o cancelamento da dívida iraquiana e seus juros (cerca de US$ 7 bilhões no total).

Outros países árabes, como Jordânia, Barein e Kuwait também nomearam embaixadores no Iraque, enquanto a Arábia Saudita prometeu dar um passo similar. EFE fa/fal

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.