Rice afirma que negociações entre israelenses e palestinos não fracassaram

Ramala, 7 nov (EFE) - A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, reconheceu hoje que o objetivo de estabelecer um acordo de paz entre israelenses e palestinos até o final do ano não é realista, mas ressaltou que as negociações não fracassaram. O caminho rumo à paz já é mais curto, embora a paz ainda não tenha sido alcançada, afirmou Rice na cidade de Ramala, na Cisjordânia, após se reunir com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. A chefe da diplomacia americana se referia assim aos obstáculos ao futuro do processo de paz, entre eles as eleições gerais em Israel em 10 de fevereiro e a mudança que ocorrerá na Casa Branca em 20 de janeiro, com a posse do novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o que poderá atrasar o avanço das negociações. Israelenses e palestinos se comprometeram há um ano em uma conferência em Annapolis (EUA) a retomar o processo de paz para alcançar um acordo que coloque fim ao conflito e firme as bases de um Estado palestino antes do fim do mandato do atual presidente americano, George W.Bush.

EFE |

No entanto, apesar das muitas reuniões entre as partes, elas, por enquanto, não obtiveram resultados visíveis na mesa de negociações.

Rice, que visita a região para revisar os últimos avanços neste canal de diálogo, afirmou ter consciência de que os críticos sentenciariam que "o processo de Annapolis e as negociações fracassaram", mas insistiu em que "de fato, é o contrário".

"O processo de Annapolis fixou os alicerces do eventual estabelecimento do Estado da Palestina", disse.

Além disso, destacou o compromisso das partes em tentar conseguir um acordo global, apesar de ter afirmado que a continuação da construção de assentamentos judaicos é "um obstáculo real ao processo de paz".

Na véspera de visitar a cidade cisjordaniana de Jenin, onde a ANP conseguiu criar uma força de segurança própria, Rice elogiou os esforços de Abbas para reformar as instituições encarregadas de fazer respeitar a lei e a ordem na Cisjordânia.

A secretária de Estado prometeu que, até seu último dia no cargo, continuará trabalhando para apoiar palestinos e israelenses na missão de conseguir uma paz justa e global, reflexo da visão do presidente Bush.

Por sua vez, Abbas expressou à Rice sua esperança de que o próximo presidente dos EUA se envolva o mais rápido possível na resolução do conflito no Oriente Médio.

A ANP mostrou sua preocupação com o não reconhecimento das conquistas já alcançadas na negociação se nas eleições de Israel vencer um líder de direita, que é mais reticente a fazer concessões territoriais.

Israel realiza eleições gerais em fevereiro, depois que o primeiro-ministro, Ehud Olmert, se viu obrigado a renunciar por suspeitas de corrupção, e que sua sucessora à frente do governante Kadima, Tzipi Livni, não conseguiu consolidar um novo Executivo.

Um dos favoritos nessas eleições, o líder do direitista Likud, Benjamin Netanyahu, se reuniu hoje com Rice em Jerusalém, e revelou que pretende implementar um novo plano de paz, caso seja eleito como primeiro-ministro em fevereiro.

Netanyahu explicou que a iniciativa alia o que denominou de paz diplomática com a econômica, ligadas a um "desenvolvimento acelerado", modelo que deverá partir da sociedade civil, para posteriormente ser aplicado pela classe política.

Rice também se reuniu hoje com o ministro da Defesa de Israel e líder do Partido Trabalhista, Ehud Barak, que advertiu de que o país combina "todas as opções" na hora de buscar impedir que o Irã desenvolva sua atividade nuclear.

No domingo, a secretária de Estado viajará à localidade egípcia de Sharm el-Sheikh, onde se reunirá com outros membros do Quarteto para Oriente Médio (integrado por EUA, União Européia, ONU e Rússia) e representantes israelenses e palestinos, que servirá para revisar o avanço das negociações. EFE fn/ab/db

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