Rice acredita em acordo de paz entre Israel e palestinos ainda este ano

Antonio Pita Jerusalém, 4 mai (EFE).- A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, considerou hoje ser possível fazer com que palestinos e israelenses cheguem ainda este ano a um acordo de paz, mas admitiu que a expansão de colônias judaicas na Cisjordânia atrapalha as negociações.

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Em entrevista coletiva na cidade de Ramala com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, Rice qualificou de "particularmente problemático" o descumprimento por Israel de suas obrigações sobre os assentamentos.

O Mapa de Caminho - documento de 2003 que guia o atual processo de negociação - exige que Israel detenha todas as construções nas colônias e desmantele as que o próprio Estado judeu considera fora da lei.

Já Abbas insistiu na condução de forma séria do diálogo com Israel, e apontou que o processo de negociação se encontra em uma fase avançada, apesar da aparente falta de resultado do chamado processo de Annapolis, que Rice voltou a impulsionar em sua nova visita de dois dias à região.

"Abordamos 90% dos assuntos", disse o presidente da ANP antes de ressaltar que se trata de uma "corrida contra o relógio", e que após seis meses de negociações ainda não se tem nada esclarecido.

O primeiro-ministro israelense Ehud Olmert e Abbas se reunirão amanhã em Jerusalém para tentar impulsionar o diálogo.

Sobre as conseqüências para os palestinos do conflito militar israelense na Cisjordânia, a chefe da diplomacia americana disse que pressiona as autoridades de Israel para que retirem as barreiras que impedem o livre trânsito dos palestinos no território.

Perguntada por um jornalista se tinha recebido a promessa de Israel de retirar os bloqueios nas estradas, a americana se limitou a responder que dedica bastante tempo à resolução do assunto, e pediu compreensão com as necessidades de segurança de Israel.

Rice ressaltou, além disso, que a ANP deve fazer mais esforços para combater as milícias palestinas.

Já Abbas manifestou sua esperança de que as forças de segurança da ANP "controlem, algum dia, todas as cidades da Cisjordânia".

Ontem, cerca de 500 agentes da ANP se estabeleceram em Jenin, na Cisjordânia, o que não impede que o Exército israelense efetue incursões nas localidades devido a um acordo firmado entre as duas partes.

Rice tem ainda uma agenda cheia para hoje e amanhã. Esta tarde deve reunir-se com a ministra de Assunto Exteriores israelense, Tzipi Livni, e com o chefe da equipe de negociação palestina, o ex-primeiro-ministro Ahmed Qorei.

Rice deverá ver cada um dos dois separadamente e, em seguida, terá uma reunião conjunta com ambos, da mesma forma que fez hoje pela manhã com o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, e com o primeiro-ministro da ANP, Salam Fayyad.

A visita de Rice coincide com dois elementos que levam ainda mais incerteza ao processo de negociação para a paz.

O primeiro aconteceu na sexta-feira passada, quando autoridades interrogaram Olmert como parte de uma investigação sobre um suposto caso de corrupção.

Sem se abater com as suspeitas que pairam contra ele, Olmert disse hoje, antes do início da reunião do conselho de ministros, que a nova investigação judicial - a quinta em dois anos - não o impedirá de continuar com seu trabalho.

"Estou convencido de que estes assuntos se esclarecerão e (...) se apresentarão em sua correta proporção e seu contexto exato", disse Olmert.

A Procuradoria Geral de Israel anunciou hoje a abertura de um processo contra o ministro das Finanças Abraham Hirchson, acusado, entre outros delitos, de roubo e lavagem de dinheiro.

O segundo fator de incerteza é a proposta de cessar-fogo temporária entre Israel e Palestina apresentada pelo Hamas com apoio das milícias palestinas através do Egito.

A oferta consiste em seis meses de cessar-fogo em Gaza, em troca do fim do bloqueio à Faixa e, posteriormente, em uma eventual extensão da paz à Cisjordânia.

O Hamas espera receber uma resposta de Israel através do Cairo na próxima semana, a mesma em que o Estado judaico celebra seu 60º aniversário.

Hoje, o porta-voz do Hamas Sami Abu Zuhri advertiu Israel dizendo que, caso rejeite a proposta, o Hamas poderá empreender "uma escalada de violência sem precedentes". EFE ap/rr/gs

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