Revolução cubana chega aos 50 anos com necessidade de uma mudança de geração

José Luis Paniagua. Santiago de Cuba (Cuba), 2 jan (EFE).- A revolução cubana entrou hoje no dia seguinte a seu aniversário de 50 anos com a tarefa apresentada pelo seu presidente, Raúl Castro, de fazer a mudança de geração e de colocar nas mãos de novos dirigentes o cataclismo social de justiça iniciado por Fidel Castro.

EFE |

Sem o líder cubano, que desde julho de 2006 está com uma doença que o obrigou inicialmente a delegar seus cargos temporariamente e que o levou a deixar o poder em fevereiro de 2008, Raúl Castro disse que os líderes históricos devem "preparar as novas gerações para assumir a enorme responsabilidade de continuar em frente com o processo revolucionário".

Ele fez isto na noite de ontem, em Santiago de Cuba, no ato com o qual foram recordados os 50 anos da vitória da revolução, com menções a seu irmão Fidel e rodeado de imagens do líder cubano, que na última quinta pronunciou uma mensagem com 16 palavras - através do jornal oficial "Granma" - aos cubanos para lhes felicitar pela data comemorativa.

A tarefa da mudança de geração no comando do país não é um novo tema de discussão em Cuba.

Em dezembro de 2005, o ministro das Relações Exteriores do país, Felipe Pérez Roque, falou de "preservar a Revolução vitoriosa no futuro, quando houver um vazio que ninguém pode preencher e que teremos que preencher entre todos como povo".

"A invulnerabilidade no campo ideológico e político agora existe, mas depois é necessário conservá-la quando não existir a voz que chame quando os outros não se derem conta, os que vêem antes que os outros tenham podido ver", acrescentou.

Anteriormente, Pérez Roque afirmou que um milhão e meio de jovens cubanos cresceram durante a crise dos anos 90 em meio a "vícios" e "tendências negativas".

Em junho de 2006, antes da doença afastar Fidel Castro do poder, Raúl Castro afirmou que "apenas o Partido Comunista de Cuba, como instituição que reúne a vanguarda revolucionária e garantia a unidade dos cubanos em todos os tempos, pode ser o digno herdeiro da confiança depositada pelo povo em seu líder".

O próprio Fidel Castro disse no dia 18 de dezembro de 2008: "Meu dever elementar não é me apegar a cargos, em absoluto obstruir a passagem de pessoas mais jovens".

Cinqüenta anos após o triunfo da revolução, passaram por Cuba quatro gerações e 70% de sua população nasceu após 1958, mas a mudança de geração no poder ainda não aconteceu.

O presidente tem 77 anos e a cúpula do Conselho de Estado, o órgão de Governo da ilha, apresenta uma média de idade superior a 71 anos.

Entre os vice-presidentes, José Ramón Machado Ventura tem 78 anos, Juan Almeida 81 anos, enquanto os generais Abelardo Colomé Ibarra e Julio Casas Regueiro tem 69 e 72 anos, respectivamente.

Dentro deste grupo seleto apenas o membro do Bureau Político do Partido Comunista Esteban Lazo, de 64 anos, e o atual secretário do Comitê Executivo do Conselho de Ministros, Carlos Lage, de 57, não estiveram entre os insurretos da Serra Maestra.

Na última quinta, Raúl Castro convocou os "líderes do amanhã" a "não se esquecerem nunca de que esta é a Revolução dos humildes, pelos humildes e para os humildes" e lhes exigiu que "não se suavizem com os cantos de sereia do inimigo e tenham consciência de que, por sua essência, nunca deixará de ser agressivo, dominante e traiçoeiro".

"Que não se apartem jamais de nossos operários, camponeses e do resto do povo. Que a militância impeça que destruam o Partido.

Aprendamos com a história", acrescentou.

Previu que "se atuarem assim contarão sempre com o apoio do povo, inclusive quando se equivocarem em questões que não violem os princípios essenciais".

E se não fizerem isto, acrescentou o presidente, "poderão terminar sendo impotentes ante os perigos externos e internos, e incapazes de preservar a obra fruto do sangue e do sacrifício de muitas gerações de cubanos".

"Hoje a revolução é mais forte que nunca e jamais cedeu um milímetro em seus princípios nem nos momentos mais difíceis. Não mude no mínimo esta verdade", declarou Raúl Castro. EFE jlp/fal

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