Revolta dos grupos étnicos de Mianmar se intensifica na fronteira chinesa

Bangcoc, 29 ago (EFE).- O conflito entre as minorias étnicas de Mianmar (antiga Birmânia) e as tropas do regime militar continuou hoje na fronteira com a China, onde já morreram pelo menos quatro pessoas e várias dezenas de milhares fugiram de casa.

EFE |

Uma pessoa morreu e várias ficaram feridas na sexta-feira na província chinesa de Yunnan, devido à explosão de um projétil lançado de território birmanês, informou hoje o jornal estatal "China Daily".

Além disso, o número de deslocados instalados na China já chega a 30 mil pessoas, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

A maior parte dos deslocados pertence à etnia de origem chinesa kokang e começou sua fuga na segunda-feira, depois que os soldados do Governo tomaram a cidade de Laogai e a guerrilha anunciou aos habitantes que estes deviam estar "preparados a qualquer momento".

As localidades chinesas de Nansan e Genma receberam a maior parte dos deslocados, em uma avalanche que levou o Governo de Pequim a pedir a seu vizinho que proteja as fronteiras.

A guerrilha kokang, agrupada sob o nome de Exército da Aliança Nacional Democrática de Mianmar, indicou, em comunicado, que pelo menos 30 pessoas morreram nos confrontos, mas esta informação não foi confirmada por outras fontes.

O Exército kokang é liderado por Peng Jiasheng, um dos maiores narcotraficantes de Mianmar e até há pouco tempo protegido da Junta Militar birmanesa.

A escalada da tensão entre a guerrilha da etnia kokang e as tropas do Governo começou no início de agosto, quando os soldados invadiram uma das casas de Jiasheng para detâ-lo sob a acusação de dirigir o tráfico de drogas na região, da qual procede grande parte dos carregamentos de heroína e metanfetaminas que entram na China e Tailândia.

Jiasheng é sogro de Li Mingxian, um dos homens mais ricos da região e chefe da guerrilha conhecida como Grupo de Mong La, que soma cerca de 20 mil combatentes junto ao Exército do Estado Unido Wa.

"Estes confrontos vão gerar um conflito em grande escala", disse Aung Zaw, exilado político birmanês, sobre a luta entre os três grupos guerrilheiros e os 7 mil soldados birmaneses mobilizados no estado.

O Governo central raramente exerceu sua autoridade sobre as áreas controladas pelas milícias étnicas desde que assinou o cessar-fogo, há duas décadas, mas começou a hostilizá-las em meados deste ano, depois que se recusaram a se integrar no Exército ou se transformar em partidos políticos antes do pleito de 2010.

O conflito no remoto estado de Shan, na fronteira com a China, começou na quarta-feira e se repetiu ontem, deixando pelo menos três mortos, segundo informações de moradores por telefone publicadas na imprensa local.

Os combatentes kokang quebraram o cessar-fogo oficialmente na quinta-feira, após conseguir o apoio dos guerrilheiros da etnia Wa e do Grupo Mong La.

Os enfrentamentos no montanhoso estado de Shan ocorrem depois dos travados na semana passada no norte de Mianmar, depois que a guerrilha da etnia kachin também decidiu romper o cessar-fogo estabelecido em 1991, após rejeitar a ordem do Governo de depor as armas e formar um partido político.

Em julho, as tropas birmanesas aumentaram seus ataques às guerrilhas karen, shan e karenni, que aderiram à luta armada há meio século para conseguir a autonomia ou a independência dos territórios fronteiriços com a Tailândia.

Estes confrontos colocaram em risco a estabilidade da região, alcançada há duas décadas, graças ao cessar-fogo definido com o Governo por mais de dez grupos armados.

"Se as tropas governamentais continuarem enviando reforços a estas áreas, acontecerá um banho de sangue", disse ontem Aung Kyaw Zaw, ex-oficial das forças do Partido Comunista de Mianmar, cuja dissolução provocou o alistamento de muitos de seus membros nas guerrilhas, há duas décadas.

Os grupos armados das minorias étnicas contam com guerrilhas bem provistas de armamento, milhares de guerrilheiros e experiência militar, além de controlar lucrativos negócios na fronteira, como cassinos, comércio madeireiro e tráfico de drogas. EFE grc/an

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG