Rabat, 6 ago (EFE).- As edições de agosto das revistas TelQuel (em francês) e Nichane (em árabe) chegaram hoje às bancas sem a enquete sobre o rei do Marrocos Muhammad VI, que causou a confiscação e destruição das publicações, no sábado.

Com uma tiragem conjunta de 80 mil exemplares, as revistas foram publicadas hoje com uma faixa amarela na capa, que anunciavam a edição como "Censurada" e 50 mil unidades de cada publicação "foram confiscadas e destruídas pelo Estado, porque divulgavam uma pesquisa sobre Muhammad VI".

Em seu interior, um artigo intitulado "As Razões da Censura" explica passo a passo o processo pelo qual as autoridades confiscaram as revistas quando estavam prontas para serem impressas na gráfica e como posteriormente foram destruídas, na noite de sábado para domingo.

A nota, assinada pelo grupo "TelQuel" - editor das publicações -, insiste que a publicação da enquete não vulnerava nenhuma lei "já que não existe nenhuma que proíba as enquetes de opinião no Marrocos".

Pelo contrário, o diretor do grupo, Ahmed Benchemsi, critica o Ministério do Interior por suas "mentiras", que tinham "violado as disposições legais em vigor" e acusa as autoridades de não terem respeitado a lei, ao mandar a destruição dos números sem esperar a decisão judicial.

"Seria preciso aprovar uma lei sobre as pesquisas para regulamentar o que o povo tem e não tem direito a dizer e, nesse caso, deixar de afirmar que estamos em uma democracia, ou em vias de democratização. E, sobretudo, seria preciso assumir isso", afirma o grupo editorial.

Por sua parte, o ministro da Comunicação, Khalid Naciri, assegurou hoje no jornal governista "Le Matin" que "o Marrocos vive uma democracia que está se desenvolvendo, não por culpa de ter um Estado sem estratégia, mas de uma classe política, uma elite civil e uma comunidade midiática amplamente imaturas e irresponsáveis". EFE er-mgr/pd

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