Londres, 27 mar (EFE).- A conceituada revista médica The Lancet acusa, em um duro editorial, o papa Bento XVI de tergiversar a ciência por afirmar que o uso de preservativos agrava o problema da aids, e exige do Vaticano uma retificação.

"Ao afirmar que os preservativos exacerbam o problema da aids, o papa distorceu publicamente as evidências científicas a fim de promover a doutrina católica sobre esse tema", critica a revista britânica em seu mais recente número, que saiu hoje à venda.

"Não está claro se o erro do papa foi devido à ignorância ou a uma tentativa deliberada de manipular a ciência em apoio à ideologia católica", afirma a "Lancet".

"Seus comentários estão aí, e as tentativas do Vaticano de retorcer as palavras do papa, manipulando mais uma vez a verdade, não é o melhor caminho a seguir", acrescenta a revista.

Também afirma que, "quando uma pessoa influente, seja uma figura religiosa ou política, faz uma declaração científica que poderia ter efeitos devastadores sobre a saúde de milhões de pessoas, deveria se retratar ou retificar".

Segundo a revista, "pouco menos que isso seria fazer um fraco serviço ao público e aos que trabalham em defesa da saúde, incluindo muitos milhares de católicos que trabalham de maneira incessante para impedir a propagação da aids no mundo todo".

Durante sua recente visita à África, o país mais castigado pela aids, o papa disse que essa epidemia deveria ser combatida através da abstinência e da fidelidade, em vez de com o uso de preservativos.

Segundo Bento XVI afirmou então, a aids é "uma tragédia que não pode ser superada só com dinheiro nem mediante a distribuição de preservativos, já que estes podem inclusive exacerbar o problema".

A "Lancet" sustenta, no entanto, que o preservativo masculino é o método mais efetivo de evitar o contágio da doença. EFE jr/an

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