Revelados detalhes de plano dos EUA para crise

Ao fim de uma turbulenta semana para a economia mundial, começam a emergir os primeiros detalhes do plano de emergência a ser proposto pelo governo americano para combater uma das piores crises financeiras mundiais em décadas. Neste sábado, congressistas e representantes do Tesouro continuam a discutir os detalhes do plano, que deve ser apresentado no início da semana para ser transformado em lei.

BBC Brasil |

O Tesouro americano está propondo um fundo de até US$ 800 bilhões para comprar a maior parte dos papéis podres do mercado hipotecário americano.

Segundo o presidente americano George W. Bush, é "uma ação sem precedentes" diante de um "desafio sem precedentes".

O plano anunciado pelas autoridades americanas deve incluir a criação de uma agência para absorver papéis podres (que têm um risco muito alto de prejuízo ao investidor) espalhados pelo mercado, o que teria que ser aprovado pelo Congresso.

Essa medida ajudaria os bancos de Wall Street a se livrar desses papéis, melhorando suas finanças.

Acredita-se que a intenção seja guardá-los em nome do contribuinte até que eles possam ser vendidos de novo, em algum ponto, num futuro distante, explica o repórter da BBC em Washington Justin Webb.

Alguns integrantes do Congresso não concordam que bilhões de dólares do contribuinte sejam usados na compra desses papéis, afirma, Webb, mas o líder do Partido Democrata na Câmara dos Representantes, Steney Hoyer, disse esperar uma ação rápida.

Bolsas
O anúncio do plano teve reflexo imediato nas bolsas de valores de todo o mundo, que registraram alta vigorosa na sexta-feira.

As linhas gerais do plano foram discutidas em um encontro entre o secretário do Tesouro, Henry Paulson, o presidente do Fed (Federal Reserve), o banco central americano, Ben Bernanke, e membros do Congresso em Washington.

Paulson afirmou que o plano para salvar o mercado americano da atual crise financeira custará às famílias americanas "muito menos do que a alternativa: a continuidade da falência de uma série de instituições financeiras e o congelamento dos mercados de crédito".

"A segurança financeira de todos os americanos depende da nossa habilidade de recolocar as nossas instituições financeiras de pé", afirmou Paulson. O secretário do Tesouro disse ainda que é preciso "atacar as causas do problema".

Por sua vez, o presidente americano, George W. Bush, afirmou que uma intervenção do governo no mercado é "essencial" neste momento.

Altas recordes
Diante das informações sobre o plano do governo americano, as bolsas de valores de Londres e Paris fecharam com altas de mais de 8%.

Também foram registradas valorizações significativas nas bolsas de Nova York (o índice Dow Jones subiu 3,3% nesta sexta) e na Bovespa - que fechou o dia com alta de 9,5%.

Outra medida adiantada pelas autoridades americanas é o uso de até US$ 50 bilhões de um fundo de emergência criado após a grande depressão, no início da década de 30, para socorrer investidores de fundos mútuos (fundos administrados por sociedades de investimento).

Com o dinheiro, o governo garantiria o pagamento de títulos de curto prazo desses fundos, formados por papéis da dívida pública americana, títulos de empresas e outros papéis negociáveis considerados de baixo risco.

Nesta sexta-feira, a SEC - órgão que fiscaliza o mercado financeiro americano, similar à Comissão de Valores Mobiliários brasileira - anunciou a proibição das vendas a descoberto de posições de 799 empresas da área financeira por um período inicial de dez dias.

A venda a descoberto ocorre quando um operador pega emprestado ações de outro para vendê-las, esperando comprá-las de volta a um preço mais baixo e, assim, obter lucro com a diferença. Analistas dizem que esse tipo de operação está por trás de quedas acentuadas em ações de alguns bancos.

Essa medida, de acordo com a SEC, visa resgatar a confiança dos investidores e proteger a integridade e a qualidade do mercado acionário.

Mais medidas
Paulson, Bernanke e parlamentares americanos devem continuar negociando o plano durante o fim de semana.

"Nós conversamos sobre uma abordagem abrangente, que vai exigir a aprovação de leis para lidar com os ativos sem liquidez das instituições financeiras", disse o secretário do Tesouro a respeito da primeira reunião para discutir a proposta.

Segundo Paulson, as dívidas podres estão "entupindo" o sistema financeiro.

"Para restaurar a confiança em nossos mercados e em nossas instituições financeiras, a fim de que eles possam impulsionar nosso crescimento e prosperidade, nós precisamos lidar com o problema por trás disso."

O plano americano foi anunciado em um momento em que bancos centrais de vários países continuam injetando bilhões de dólares no mercado para estimular a liquidez.

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