Reuters pede a EUA vídeos de morte de funcionários no Iraque

Por Dean Yates BAGDÁ (Reuters) - As Forças Armadas dos Estados Unidos disseram na sexta-feira que ainda processam um pedido feito pela Reuters para obter os vídeos feitos por helicópteros norte-americanos e outros materiais relacionados com a morte, um ano atrás, em Bagdá, de dois funcionários iraquianos da agência de notícias.

Reuters |

O fotógrafo da Reuters Namir Noor-Eldeen, 22, e o motorista Saeed Chmagh, 40, foram mortos no ataque realizado por um helicóptero dos EUA na zona leste de Bagdá, no dia 12 de julho de 2007.

A Reuters quer ter acesso aos materiais a fim de avaliar o que ocorreu.

Os vídeos, gravados desde os helicópteros envolvidos na investida, poderiam ajudar a agência de notícias, ainda, a melhorar suas medidas de segurança no Iraque, o país mais perigoso do mundo para jornalistas.

Noor-Eldeen e Chmagh haviam se dirigido para a parte leste de Bagdá depois de ouvir relatos sobre um ataque dos militares contra um prédio, por volta do amanhecer. Os funcionários da Reuters encontravam-se com um grupo de homens no momento da investida. Acredita-se que dois ou três desses homens carregavam armas, apesar de testemunhas terem dito que nenhum deles assumia uma postura agressiva.

Os militares norte-americanos afirmaram que o ataque do helicóptero, no qual nove pessoas foram mortas, ocorreu depois de forças de segurança terem sido alvo de uma investida inimiga.

Vídeos gravados pelos helicópteros Apache dos EUA e fotografias tiradas do local foram mostrados a editores da Reuters em Bagdá, no dia 25 de julho de 2007, em um encontro informal.

Oficiais das Forças Armadas que apresentaram o material disseram que a Reuters precisaria realizar um pedido valendo-se da Lei de Liberdade de Informação (Foia) a fim de obter cópias dos vídeos e das fotos.

O consultor jurídico da Reuters Thomas Kim escreveu ao Comando Central dos EUA na quinta-feira, afirmando que, passado quase um ano, a agência de notícias não havia recebido qualquer resposta oficial.

Em um e-mail enviado na sexta-feira, o Comando Central disse que o pedido continuava a ser processado, acrescentando não ser possível prever quando haveria uma resposta.

SEGURANÇA DOS JORNALISTAS

Kim observou que uma investigação recente do Pentágono sobre a morte de outro jornalista da Reuters por soldados norte-americanos em Bagdá, em 2005, identificou 'graves inconsistências' entre os procedimentos de segurança dos meios de comunicação e aquilo que deles esperam os militares dos EUA presentes no Iraque.

O relatório previu que outros episódios do tipo 'devem ocorrer' se não houver nenhuma mudança.

'Os materiais requisitados por meio desse pedido feito com base na Foia podem conter informações relevantes para que se evite uma repetição dessa tragédia. Sendo assim, acreditamos haver a necessidade urgente de divulgação deles e de que tal divulgação ocorra o quanto antes', escreveu Kim.

No dia em que Noor-Eldeen e Chmagh movimentavam-se pelo leste de Bagdá com o grupo de homens, houve relatos sobre choques entre soldados dos EUA e pessoas armadas, mas não na área em que os funcionários da Reuters se encontravam.

Além dos dois, outros quatro jornalistas a serviço da Reuters foram mortos por soldados norte-americanos no Iraque desde o início da invasão liderada pelos EUA, em 2003.

As Forças Armadas norte-americanas disseram que suas tropas agiram de forma correta em todos esses casos.

Um tradutor que trabalhava para a Reuters foi morto por desconhecidos no dia 11 de julho de 2007, em Bagdá.

Ao menos 179 repórteres e outros funcionários de meios de comunicação foram mortos no Iraque desde a invasão, segundo o grupo Comitê de Proteção aos Jornalistas.

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