Javier Otazu. Havana, 17 set (EFE).- Cuba e Estados Unidos promoveram hoje em Havana conversas sobre o reatamento do serviço direto de correio entre os dois países, em um ambiente de grande secretismo e que, de acordo com o Governo cubano, foi satisfatório.

"Estamos satisfeitos com o desenvolvimento dessa primeira reunião", disse em comunicado oficial Josefina Vidal Ferreiro, diretora para a América do Norte do Ministério das Relações Exteriores, que liderou a delegação cubana.

Os americanos foram liderados por Bisa Williams, subsecretária adjunta de Estado para o Hemisfério Ocidental, que não fez declarações após as conversas, realizadas em um ponto de Havana a que os jornalistas não tiveram acesso.

As duas diplomatas lideraram delegações compostas por funcionários de seus serviços postais, que tiveram uma troca "ampla e útil", segundo o comunicado cubano, e concordaram sobre a "necessidade de dar continuidade às conversas nos próximos meses", porém sem fixar datas.

O que entre outros países não teria passado de uma reunião de técnicos, adquire entre Cuba e EUA um caráter político, já que os dois países não têm serviço postal direto desde 1963, época em que Washington impôs um embargo econômico e comercial à ilha caribenha.

É o segundo contato de alto nível entre os dois países desde que Obama chegou ao poder. Em julho passado, emissários cubanos tiveram conversas sobre questões migratórias com representantes americanos em Nova York.

A reunião de hoje aconteceu um dia depois de o Governo cubano, por meio do chanceler Bruno Rodríguez, declarar que nada mudou na aplicação do embargo, que foi prorrogado por mais um ano na segunda-feira passada pelo presidente Obama.

Para os chanceleres, as medidas de distensão anunciadas por Obama, como permitir os voos a americanos com parentes em Cuba e facilitar as remessas de dinheiro, foram "extremamente limitadas e totalmente insuficientes".

A inexistência de um serviço direto de correios entre os dois países retarda em várias semanas o envio de cartas ou pacotes, que devem transitar pelo México ou às vezes ir para Europa, antes de chegar a EUA ou Cuba, como contaram à Agência Efe cubanos com parentes em território americano.

Alguns veículos de comunicação cifram em 25% o volume de troca com os EUA do total de malotes e cartas que saem de Cuba, dado que há mais de um milhão e meio de cubanos vivendo em terras americanas.

Para os EUA, é mais que uma questão logística, pois fontes diplomáticas americanas consideraram que conversar sobre o serviço de correio serve em prol do "livre fluxo de informação", como disseram fontes diplomáticas americanas.

Do mesmo modo, o porta-voz presidencial americano, Robert Gibbs, considerou em julho passado que esse tipo de conversa constitui uma ajuda para transmitir a mensagem americana a favor da democracia para Cuba.

O Governo Obama adotou uma política de abertura, mas ao mesmo tempo a secretária de Estado, Hillary Clinton, insistiu em falar de uma transição pacífica na ilha para a democracia.

O chanceler cubano lembrou ontem que seu país "não vai negociar com ninguém, nem com os EUA nem com nenhum grupo de países, seus assuntos internos", e por isso está disposto ao diálogo "entre iguais", sem interferência a independência, soberania e autodeterminação de Cuba.

Elizardo Sánchez, da Comissão Cubana pela Reconciliação Nacional e os Direitos Humanos (CCRNDH), disse ver com bons olhos este tipo de reunião, que conduz à normalização entre ambos os países e ao término "dessa Guerra Fria privada" No entanto, questionou as verdadeiras intenções do Governo cubano, que segundo ele " durante décadas desenhou políticas para governar em condições de auto-isolamento". EFE fjo/rr

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