Reunião prévia à Cúpula América Latina-UE aborda drogas, comércio e imigração

Esther Rebollo Lima, 15 mai (EFE).- Narcotráfico, comércio e a questão da migração são os temas principais da reunião de hoje de chanceleres que antecede a 5ª Cúpula América Latina-Caribe-União Européia (EU-LAC, na sigla em inglês) em Lima.

EFE |

Uma foto oficial tirada no Museu da Nação, sede do encontro, na qual posaram todos os chanceleres, deu a largada à reunião, que terminará no final da tarde e dará espaço na sexta-feira ao encontro presidencial.

O peruano Hernán Couturier, coordenador geral da cúpula, disse hoje à imprensa que a reunião acontecerá a portas fechadas, e qualificou de "muito rica" a agenda dos ministros.

"Migração, integração cultural, drogas e integração são os temas tratados pelos chanceleres", disse Couturier.

Uma extensa agenda que foi confirmada em entrevista coletiva pelo ministro espanhol de Relações Exteriores, Miguel Moratinos, que adiantou que o narcotráfico merecerá um "debate particular".

Esta cúpula "vai permitir conversas e buscar mecanismos para lutar juntos contra o terrorismo, as drogas e pela segurança das fronteiras", disse Moratinos.

"Os mecanismos de cooperação fazem falta", afirmou o ministro, antes de confirmar que a migração e os acordos de associação dos diferentes grupos de integração latino-americanos com a UE estão na mesa de discussão dos chanceleres.

O chefe da diplomacia espanhola falou sobre a luta pelo desenvolvimento de mecanismos que "impulsionem as associações regionais".

Esta cúpula servirá para "fixar uma rota definitiva", comentou Moratinos, para quem o encontro em Lima originará "um compromisso político para que acordos regionais sejam fechados".

Anteriormente, o coordenador geral da Cúpula havia declarado que "um dos temas das conversas dos chanceleres é a integração regional, que passa pelos acordos" e esclareceu que tais assuntos serão tratados "de forma específica" no próximo sábado, durante as mini-cúpulas entre UE e os diferentes blocos regionais, como Mercosul e Comunidade Andina de Nações (CAN).

O presidente do Peru, Alan García, afirmou que seu país deseja "acordos profundos e imediatos" com a UE, à qual pediu ajuda para sair de "círculo vicioso" no qual se encontra a negociação entre a CAN e o bloco europeu.

García defendeu o direito de ter pontos de vista diferentes e velocidades distintas de integração dentro do grupo andino, além de negar que queira desunir a América Latina e destruir a CAN.

Posteriormente, Couturier se manifestou sobre a polêmica gerada por Evo Morales, presidente da Bolívia, que se queixou, alegando que Peru e Colômbia desejam excluir seu país da negociação com os europeus.

"Há uma percepção equivocada. Até o momento houve três reuniões com a UE e todas foram bem-sucedidas. O que ocorre é que houve vários ritmos e por enquanto optamos por um avanço mais lento", afirmou Couturier.

Quanto à migração, o chanceler espanhol disse que o assunto faz parte dos debates porque "os direitos e a dignidade das pessoas" devem ser protegidos.

"Podemos resolver com diálogo os diferentes desafios de migração", assegurou Moratinos, que também destacou o compromisso conjunto na luta contra a pobreza e às mudanças climáticas.

Outro objetivo dos chanceleres é dar uma forma final à Declaração de Lima, que ficou praticamente concluída na quarta-feira.

Sobre a declaração, Moratinos adiantou que incluirá "uma iniciativa específica sobre a crise dos alimentos", após expressar sua satisfação com o andamento do diálogo.

Já o coordenador geral da Cúpula disse que a declaração é "essencial" e deixou claro que "não houve desavenças".

Os governantes de Europa e América Latina começaram a chegar hoje em Lima para a Cúpula América Latina-UE na sexta-feira.

Os presidentes da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero; da Guatemala, Álvaro Colom; do Paraguai, Nicanor Duarte, acompanhado pelo governante eleito, Fernando Lugo; e o vice-presidente de Cuba, José Ramón Machado Ventura, já estão em Lima.

Além disso, se encontram na capital peruana o primeiro-ministro esloveno e Presidente do Conselho Europeu, Janez Jansa, e os primeiros-ministros da Holanda, Jan Peter Balkenende, e da Polônia, Donald Tusk. EFE erm/plc

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