Reunião internacional sobre aids é antecedida por protesto contra homofobia

Raúl Cortés México, 2 ago (EFE).- Uma colorida manifestação pelas ruas do centro da Cidade do México protestou hoje contra a homofobia como uma forma de combate à epidemia de HIV/aids, às vésperas da 17ª conferência mundial sobre a doença, que começa amanhã na capital mexicana.

EFE |

O 1ª Marcha Internacional contra o Estigma, a Discriminação e a Homofobia, reuniu centenas de mexicanos de todos os gêneros, idades e orientações sexuais.

A manifestação partiu em direção à praça Zócalo, a principal da cidade e uma das maiores do mundo, onde terminou com um discurso do prefeito desta capital, Marcelo Ebrard, do esquerdista Partido da Revolução Democrática.

Entre os manifestantes proliferaram as organizações de defesa dos direitos dos homossexuais, lésbicas, transexuais e prostitutas, muitos deles usando roupas chamativas e coloridas, que foram acompanhadas por carros alegóricos e uma música animada.

Pedro Zerolo, secretário federal de Movimentos Sociais e Relações com as ONG do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), disse à Agência Efe que foi "uma manifestação de exigência e de reivindicação a todos os Governos da América Latina, do Caribe e de todo o mundo para que invistam em políticas públicas, sociais, de saúde sexual e social".

Para que lutem "contra a homofobia e o machismo como a melhor maneira para combater a expansão do HIV. Na Espanha isso foi feito e na América Latina também podemos fazer", acrescentou.

Carmen González, da Associação Lésbicas do México DF, que conta com cerca de duas mil sócias, pediu "uma maior abertura na educação" para superar o preconceito que atinge esses setores em seu país.

"Aqui no México somos muito mal informados sobre esse assunto e ainda nos falta muito para aceitar as pessoas com aids. Se não podem aceitar um gay imagine uma pessoa com aids? Preferem muitas vezes vê-lo morto do que cuidar do doente", disse à Efe.

Outro ativista, Wilmer Ruiz, da organização La Manta de Puebla, considerou que "os Governos estão fazendo bastante", mas advertiu que "um pouco mais de coordenação não seria ruim".

Ele lamentou que "cada vez cresce mais o número de jovens infectados no México".

Exibindo um cartaz escrito "Amo meu filho gay", a mexicana Rocío Martínez, explicou que o espírito da manifestação foi "chegar ao coração, não aos pensamentos, e ajudar as pessoas que se encontram em situação de discriminação".

"Como queremos que respeitem nossos filhos se nós mesmos, como pais, não respeitamos os nossos", assinalou Martínez, do grupo Cuenta Conmigo, formado por pais de filhos homossexuais.

O mexicano Luis Soto, co-presidente da 17ª Conferência Internacional sobre Aids ("AIDS 2008"), afirmou, antes de começar a manifestação, que a "preservação dos direitos humanos é uma da melhores manobras de prevenção do HIV".

O diretor-executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), o belga Peter Piot, alertou sobre os efeitos da discriminação contra homossexuais, um dos grupos mais vulneráveis ao contágio do vírus.

"A homofobia mata porque marginaliza as pessoas e as tornam mais propensas a não tomarem medidas preventivas contra o HIV/aids", explicou.

O secretário (ministro) de Saúde mexicano, José Ángel Córdoba, expressou sua rejeição ao preconceito e pediu respeito à diversidade sexual, embora seu discurso tivesse sido rebatido por alguns presentes que acusaram o Governo do presidente Felipe Calderón de "mentiroso" e "homofóbico".

No México, onde existem 200 mil pessoas que vivem com essa doença, mais da metade (57%) dos diagnósticos de HIV notificados até o momento foram atribuídos a relações sexuais entre homens sem proteção, segundo o último relatório da Unaids. EFE rac/bm/rr

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