Reunião do PCCh deve encaminhar sucessão de Xi Jinping na China

Pequim, 15 set (EFE).- A convenção anual do Partido Comunista da China (PCCh) começou hoje a mais importante reunião do ano, em que o vice-presidente, Xi Jinping, pode aumentar sua cota de poder e garantir-se como futuro sucessor do atual presidente, Hu Jintao.

EFE |

Com o secretismo habitual, nem o lugar tampouco o horário do início do conclave dos 400 homens mais poderosos do país foram divulgados à imprensa pelo porta-voz do PCCh.

Os analistas do país asiático esperam que as engrenagens do PCCh sigam o curso normal e Xi seja nomeado vice-presidente da poderosa Comissão Militar do Comitê Central, instituição cujo presidente (agora Hu Jintao) costuma ocupar a Presidência do Governo e a Secretaria-Geral do Partido.

Se confirmada a nomeação, Xi, 56 anos, estaria seguindo com exatidão os mesmos passos que conduziram Hu ao poder, e durante o 8º Congresso do PCCh, em 2012, quando o atual presidente deixar a Secretaria-Geral do Partido, ele assumiria o poder.

No atual plenário, como em algumas ocasiões anteriores, estará em pauta à luta contra a corrupção, um tema recorrente durante os encontros, já que os políticos chineses acreditam que os cerca de 50 mil casos anuais de oficiais comunistas corruptos minam a credibilidade da formação política no país.

Analistas como o professor da Universidade de Tsinghua, Ren Jianming, citado nesta terça-feira pelo jornal "South China Morning Post", opinam que o encontro de 2009 poderia surpreender e obrigar os líderes comunistas a tornarem públicos seus bens e propriedades.

Uma lei de 2001, a da transparência governamental, determina que os mais altos cargos revelem seus salários, entretanto a medida é considerada insuficiente.

O mesmo periódico informa que a condenação, na semana passada, à prisão perpétua do ex-presidente taiuanês, Chen Shui-bian, e sua esposa, Wu Shu-chen, pode servir de incentivo para que o Governo chinês imite a ilha rebelde e imponha restrições ao enriquecimento ilícito de seus quadros.

A reunião ocorre em um momento especialmente sensível para a China, dentro de 15 dias será comemorado o 60º aniversário da República Popular, com direito ao primeiro desfile militar na Praça da Paz Celestial depois de 10 anos.

O Governo chinês aproveita a comemoração para elogiar as seis décadas de progresso do país, terceira economia do mundo - e que possivelmente deverá superar o Japão em questão de meses. Apesar de ser um país ainda em desenvolvimento, a China caminha para se transformar em uma superpotência, tendo somente os Estados Unidos como o único rival.

Parafraseando Mao Tsé-tung, "a China é tigre de papel", um país que apesar do enorme potencial esconde graves problemas internos, como uma forte instabilidade social e étnica, situação que nos últimos dois anos esteve latente nas revoltas de Urumqi (região uigur de Xinjiang) e Lhasa (Tibete).

Além disso, o país enfrenta, como tantos outros, os desafios da crise financeira internacional, que embora não tenha trazido à recessão (a China cresceu 7,9% no primeiro semestre de 2009) reduziu o ritmo de crescimento na comparação com anos anteriores, causando o fechamento de milhares de fábricas e o encolhimento de até 40 milhões de postos de trabalho.

Neste sentido, espera-se que o PCCh use a reunião para mostrar coesão interna e confirme Xi Jinping no poder.

Qualquer outro resultado seria interpretado pelos observadores como um indício de desavenças no partido, como as que ocorreram em 1989 por causa das manifestações estudantis. EFE abc/dm

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG