Reunião do Fed gera expectativa nos mercados americanos

Teresa Bouza. Washington, 11 ago (EFE).- O Federal Reserve (Fed, banco central americano) iniciou hoje uma de suas reuniões mais esperadas, já que os agentes do mercado esperam que os dois dias de discussões deem novas pistas sobre os rumos da economia.

EFE |

O encontro do banco central dos Estados Unidos acontece após a apresentação de vários dados econômicos positivos, como a queda do desemprego em julho e a produtividade durante o segundo trimestre, que superou as expectativas dos especialistas.

"A única dúvida sobre esta reunião diz respeito ao otimismo do Fed em relação à economia", disse à Agência Efe David Wyss, economista-chefe da agência de classificação de risco Standard & Poor's, para quem a reunião será importante pelo "grau de entusiasmo" das autoridades monetárias.

Wyss, no entanto, acha que o Fed será comedido: "(Os dados) serão mais positivos que em reuniões recentes, mas não muito. Primeiro, porque a situação não justifica isso. Segundo, porque os bancos centrais não gostam ser otimistas demais".

Opinião parecida é compartilhada por Joel Naroff, que disse à Efe que o "assunto-chave" do encontro será qualquer mudança na linguagem do comunicado que o Fed divulga ao fim de suas reuniões.

Naroff, como a maioria de analistas, também acha que será importante a decisão que o Fed tomar sobre a compra de US$ 300 bilhões em bônus do Tesouro com vencimento em setembro.

Em março, a entidade surpreendeu os analistas ao anunciar um plano para ajudar a economia do país a sair do fundo do poço. Desde então, comprou US$ 237 bilhões em bônus do Tesouro, com o objetivo de estimular a concessão de créditos.

Na opinião da maioria dos especialistas, a intenção do Fed de pôr fim ao programa poderia ser um indicativo de que a entidade está pronta para eliminar progressivamente os programas de resgate que lançou.

Naroff, de qualquer maneira, acredita que o Fed manterá o plano para o caso de precisar voltar a recorrer a ele.

"Acho que o que o Fed realmente precisa atualmente é ter flexibilidade. E, na minha opinião, o que fará é manter o programa funcionando", acrescentou o analista.

No mês passado, durante uma sessão no Congresso, o presidente do Fed, Ben Bernanke, disse que o banco central, apesar das recentes aquisições, tem menos bônus do Tesouro que há dois anos.

"Não estamos comprando quantidades significativas no mercado de bônus do Tesouro", comentou Bernanke na ocasião, quando também frisou que o Fed não está injetando dinheiro na economia, mas criando reservas.

À espera do que a que as autoridades monetárias dirão sobre os últimos dados econômicos e a inflação, os principais índices de Wall Street registraram quedas superiores a 1% nas primeiras horas de operações.

O dólar, por sua vez, oscilou ligeiramente frente às principais divisas internacionais. E, a julgar pelo comportamento dos mercados futuros, Bernanke e seus colegas do Fed deverão manter as taxas de juros estáveis até o fim do ano ou o começo do próximo. EFE tb/sc

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