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Reunião de trabalho salva brasileiro de atentados em Mumbai

Uma reunião de trabalho marcada de última hora salvou o brasileiro Fábio Gonçalves, de 32 anos, de estar presente - na hora dos ataques - em um dos locais de Mumbai que foram alvos dos atentados da última quarta-feira. Gerente de desenvolvimento de sistemas do banco Merrill Lynch, Gonçalves, que mora em Londres há três anos e meio, desembarcou em Mumbai no último de 18, para uma viagem de trabalho de duas semanas.

BBC Brasil |

"Não conhecia Mumbai e tinha ouvido falar que o Café Lepold era um lugar legal, onde os estrangeiros se encontram. Então, como estava trabalhando muito, planejei ir lá na noite de quarta-feira", conta.

Famoso ponto de encontro de estrangeiros em Mumbai, o Café Leopold foi um dos locais onde homens armados abriram fogo na noite da última quarta-feira. Os extremistas também atacaram dois hotéis, um centro judaico, a principal estação ferroviária da cidade e um hospital. Pelo menos 120 pessoas foram mortas.

Última hora

Às 18h, no entanto, foi marcada uma reunião de trabalho de última hora, o que fez com que Gonçalves só conseguisse deixar o escritório por volta de 22h, momento em que, segundo informações, os ataques estavam começando na cidade.

"Estava cansado e fui direto para o hotel. Quando cheguei, recebi uma ligação de uma das gerentes da empresa em Mumbai, desesperada, perguntando onde eu estava. Quando contei que estava no hotel, ela disse: 'Que bom que você está a salvo'. Só aí me contou que a cidade estava sofrendo uma série de atentados".

Gonçalves foi então orientado a permanecer no hotel até que a situação de acalmasse. Foi de lá que ele falou por telefone com a BBC Brasil nesta quinta-feira.

Como a situação na cidade continuava tensa nesta quinta, o brasileiro permaneceu no hotel onde está hospedado, no norte da cidade e há alguns quilômetros de distância dos alvos dos atentados, que aconteceram no sul de Mumbai.

As operações do escritório da empresa onde ele trabalha em Mumbai ficaram restritas apenas aos serviços essenciais nesta quinta-feira e Gonçalves permaneceu o dia todo no hotel.

Medo

Mesmo distante do local dos ataques, o brasileiro pôde sentir o clima de tensão na cidade a partir dos relatos de funcionários do hotel e hóspedes estrangeiros.

"Os hóspedes estrangeiros estão com muito medo, tentando voltar o mais rápido possível a seus países", conta o brasileiro.

Gonçalves afirma ter tentado comprar uma passagem de volta para Londres para sexta-feira, mas quase não obteve sucesso.

"Só consegui uma passagem para sexta-feira pelo sistema interno da Merril Lynch. O departamento de segurança da empresa vai fazer uma reunião para ver se é seguro permanecer na cidade. Se for, fico até sábado, se não, volto na sexta-feira mesmo".

Sensação aterrorizante

Gonçalves afirma que, pela janela do hotel, é possível notar que o movimento na cidade está abaixo do normal. Ele ainda classifica a sensação de estar tão perto do alvo dos atentados como "aterrorizante".

"Eu li que os alvos eram estrangeiros. Aqui, quando você anda na rua, as pessoas podem notar que você é estrangeiro pelas roupas, pela aparência. Dá medo de virar uma esquina e alguém começar a atirar em você", diz.

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