Reunião de Lula e Lugo sobe Itaipu termina em impasse

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega paraguaio, Fernando Lugo, não conseguiram superar as divergências em torno da usina hidrelétrica de Itaipu, terminando o encontro sem acordo. Os dois líderes anunciaram, no entanto, que as conversas continuam e que, em junho, deverão anunciar um acordo definitivo sobre o assunto.

BBC Brasil |

"O Paraguai não renunciou a nenhuma de suas reivindicações", disse Lugo nesta sexta-feira, pouco antes de embarcar com o presidente Lula para Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

Lula e Lugo conversaram por duas horas ontem, primeiro acompanhados apenas dos chanceleres e depois, com a presença de ministros e técnicos.

De acordo com fontes do governo brasileiro, a reunião teria sido "dura", com o governo paraguaio adotando uma postura "irredutível".

O Paraguai insiste em vender livremente a energia a que tem direito, enquanto o governo brasileiro alega que a regra está clara no tratado - e que, para mudar o documento, seria necessária a aprovação do Congresso Nacional.

Lula e Lugo pretendem se reunir entre 10 e 15 de junho, quando terão, segundo eles, um "pacote completo" de um acordo, que incluirá não apenas as questões relativas a Itaipu, como também outros projetos ainda em aberto entre os dois países.

"Detectamos pontos onde temos que avançar", disse Lula.

Criada em 1973, a usina de Itaipu pertence aos dois países. No entanto, o Paraguai quer mudanças nas condições do acordo, sobretudo no que diz respeito ao valor que o Brasil paga ao país vizinho pela energia.

O Brasil chegou a sinalizar com uma oferta de reajuste no valor pago, o que resultaria em um adicional de US$ 200 milhões à receita anual do Paraguai com a usina. Além disso, ofereceu linhas de financiamento do BNDES para obras de infraestrutura, no valor de US$ 1,5 bilhão.

As ofertas brasileiras, no entanto, já haviam sido recusadas durante as negociações entre técnicos dos dois governos.

O Paraguai levantou, inclusive, a possibilidade de acionar uma arbitragem internacional, mas o governo brasileiro considera "pouco provável" que isso aconteça, e aposta agora em um acordo até o próximo encontro, em junho.

Até lá, as negociações serão feitas por ministros e técnicos dos dois lados.

Solidariedade
Mesmo com o impasse, os dois presidentes disseram apostar em "melhores relações" entre Brasil e Paraguai.

"Creio que a solidariedade entre os países está melhorando", disse Lugo. "Temos abordado quase todos os assuntos com o presidente Lula, de forma aberta", acrescentou.

Já o presidente Lula frisou a importância do desenvolvimento regional. Segundo ele, o Brasil não pode ser "uma ilha de prosperidade no continente".

"Todos vocês sabem da preferência do Brasil em fortalecer nossas relações com os países do Mercosul, e dentro do Mercosul de ajudar os países com maior carência econômica", disse Lula.

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