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Reunião de gabinete do governo de Maldivas será realizada debaixo d água

Políticos raramente confessam que estão afundando, mas para o governo de Maldivas é uma questão de honra admitir isso em um momento de grande preocupação com o aquecimentro global.

AFP |

O presidente Mohamed Nasheed realizará uma reunião de gabinete embaixo d'água no dia 24 de outubro para atrair a atenção para o impacto das mudanças climáticas nesse arquipélago do Oceano Índico, indicaram seus assessores à AFP nesta sexta-feira.

"O objetivo da reunião de gabinete submersa é mostrar o compromisso do mais alto nível político com o 'Dia Global de Ação Climática 350.org'," indicou o vice subsecretário Aminath Shauna.

A 350.org é uma campanha que defende a redução dos índices de monóxido de carbono (CO2) em 350 partes por milhão (ppm) para restabelecer os níveis seguros na atmosfera terrestre.

Vestindo roupas de mergulhador e comunicando-se por meio de 'whiteboards' (espécie de quadro negro utilizado por mergulhadores) e sinais, os 14 membros do gabinete aprovarão a "Declaração dos cidadãos de Maldivas", que será apresentada na cúpula do Clima da ONU, de 7 a 18 de dezembro, em Copenhague.

"Convidamos todos os cidadãos de todos os países, grandes e pequenos, ricos e pobres, altos e baixos, para dar as mãos e diminuir as emissões de carbono, reduzindo o nível de carbono na atmosfera para menos de 350 ppm," indicará a declaração.

O fundador da 350.org, Bill McKibben, disse que alguns ministros são novatos em mergulho e receberão aulas para participar da inusitada reunião.

"Será uma sessão oficial do governo, só que submersa", explicou McKibben por telefone.

As Maldivas possuem 1.192 ilhotas de corais que estão localizadas, em média, apenas 1,5 metro acima do nível do mar.

Um oceano mais quente significa níveis do mar mais elevados, com a expansão térmica dos oceanos e as tempestades. Esse processo também afetará os corais, dos quais dependem o turismo e a pesca nas ilhas.

O perigo é tão grande que o governo de Maldivas já pensou em comprar terras na Austrália, na Índia ou no Sri Lanka para a sua população de 330.000 habitantes.

"As mudanças climáticas não são uma piada para nós: as marés mais quentes e altas representam uma ameaça existencial para Maldivas," alertou Shauna por e-mail à AFP.

"Esperamos que as manifestações pelo clima em todo o mundo em 24 de outubro pressionem os líderes mundiais a aprovar um acordo ambicioso", concluiu o político.

mh-ri/dm

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