Réu de atentados de Mumbai faz confissão surpreendente

MUMBAI - O único militante que sobreviveu aos atentados de novembro passado, em Mumbai, fez uma surpreendente confissão nesta segunda-feira, admitindo ter participado da ação que durou três dias, deixou 166 mortos e provocou uma nova onda de tensão entre Índia e Paquistão.

Redação com agências internacionais |

AP

Promotor Nikam, esquerda, cumprimenta policial após julgamento de Qasab

O cidadão paquistanês Mohammad Ajmal Qasab, 21 anos, havia sido indiciado por 86 crimes, inclusive homicídio e guerra contra a Índia.

De acordo com o relato feito pelo promotor Ujjwal Nikam a jornalistas, durante um interrogatório rotineiro de testemunhas na segunda-feira Qasab se levantou e disse ao tribunal em Mumbai: "Tenho algo a dizer. Quero confessar".

Ele então gravou um depoimento de três horas relatando suas ações, segundo autoridades.

"Ele confessou seu papel e o fato de que esteve envolvido nos ataques que mataram tanta gente (...), o planejamento e a execução", disse o investigador policial Rakesh Maria à Reuters.

Qasab, que em maio se declarara inocente, agora pode ser condenado à morte. Entre as 86 acusações contra ele, as mais graves são a de guerra contra a Índia e assassinato. O homem de 21 anos, foi preso no primeiro dia dos ataques e está na Índia desde então. O promotor público disse à imprensa que a admissão de culpa de Qasab foi repentina.

'Vitória'

O promotor Ujjwal Nikam afirmou que "não estava esperando por isso (a confissão)". "Ficamos todos chocados quando ele admitiu a culpa."
"A corte deve decidir se aceita ou não sua alegação. Foi tudo muito repentino. A corte agora está registrando sua admissão", acrescentou. Logo depois, Nikam disse à BBC que a confissão de Qasab foi uma "vitória para a acusação".

Qasab teria dado detalhes a respeito de sua viagem do Paquistão para a Índia, dos ataques contra a estação ferroviária em Mumbai e contra o hospital da cidade. O advogado de Qasab afirmou que não tem nada a ver com a confissão do réu.

A polícia informou que Qasab confessou perante um juiz logo após sua prisão, depois dos ataques, mas retirou a confissão em uma primeira audiência. Os advogados dele alegaram que Qasab foi coagido.

Primeiras aparições

Em suas primeiras aparições perante o tribunal, Qasab parecia relaxado e sorridente. Mais recentemente ele chorou enquanto as testemunhas dos ataques contavam a respeito dos eventos que ocorreram durante os três dias de novembro em que Mumbai foi atacada.

Os ataques contra a cidade pioraram as relações diplomáticas entre Índia e Paquistão. A Índia alegou que militantes baseados no Paquistão do grupo militante proibido Lashkar-e-Taiba foram os responsáveis pelos ataques.

Logo depois do incidente em Mumbai, o Paquistão negou qualquer responsabilidade, mas depois admitiu que os ataques foram planejados em parte em seu território. O governo do Paquistão também admitiu que Qasab era cidadão paquistanês.


(Com informações da BBC e da Reuters)

Leia também:


Leia mais sobre atentados em Mumbai

    Leia tudo sobre: atentadomumbaiíndia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG