Retorno planejado da França para o comando integrado Otan tem forte oposição

Paris, 3 abr (EFE).- O retorno condicionado da França ao comando integrado da Otan pregado pelo presidente do país, Nicolas Sarkozy, desperta a hostilidade da oposição de esquerda, da extrema-direita e de parte dos centristas, enquanto o partido conservador governante, UMP, declarou seu apoio ao plano do chefe de Estado.

EFE |

Na cúpula da Otan realizada hoje em Bucareste, Sarkozy programou a plena reintegração da França à Aliança para 2009, com a condição de que haja progressos na defesa da Europa, no segundo semestre deste ano, quando o Governo de Paris presidirá a UE.

Esse retorno se materializaria por ocasião da cúpula do 60º aniversário da Otan em 2009, que será organizada pela França e Alemanha em Estrasburgo e Kehl.

Os deputados socialistas apresentaram hoje precisamente uma moção de censura contra o Governo conservador, que está voltada contra o plano de escalação global da Otan de Sarkozy e seu Executivo.

No texto, apoiado por comunistas e integrantes do Partido Verde, advertem que a França perderia "sua liberdade de escolha no mundo" com a volta ao comando integrado da Otan que abandonou em 1966, durante a Presidência de Charles de Gaulle.

A França ficaria "ligada a uma doutrina de blocos que sempre recusou", afirma o texto, oposto também ao envio de mais tropas ao Afeganistão e com o qual a esquerda pretende denunciar a "perigosa ruptura de Sarkozy com o consenso nacional sobre os princípios de independência militar e estratégica da França".

Para o líder centrista François Bayrou, a França perderia sua "independência e liberdade de palavra" com o retorno planejado por Sarkozy no comando militar integrado da Aliança Atlântica.

"A vocação da França é não ser dócil", afirmou o presidente do MoDem, para quem a "escalação" de Sarkozy com os Estados Unidos não está em conformidade com a história da França nem com a vontade dos franceses.

Por outro lado, e não surpreendentemente, a conservadora e governante UMP expressou seu apoio ao plano do chefe de Estado.

"A França tem muito a ganhar com uma normalização de suas relações com a Otan", afirmou o partido em comunicado.

Essa "normalização" tornará possível "o retorno de nossos oficiais a postos-chave no comando, ajudará um reequilíbrio da Aliança em favor dos países europeus e permitirá levantar o prolongado 'veto tácito' dos EUA à constituição de uma defesa européia", argumentou a UMP. EFE al/fb

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