Por Ana Isabel Martinez e John McPhaul SAN JOSÉ, Costa Rica (Reuters) - Parece pequena neste domingo a possibilidade de um fim rápido para a crise política em Honduras. Negociadores representando o presidente deposto Manuel Zelaya e os líderes do golpe que o derrubou estavam divididos pela proposta de restaurar o presidente no comando do país.

Uma solução não parecia estar mais próxima mesmo depois de quase 10 horas de reuniões a portas fechadas no sábado, na residência do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que está atuando como mediador na crise. As negociações continuam neste domingo.

Representantes de Zelaya, presidente deposto num golpe militar no dia 28 de junho, e do presidente interino Roberto Micheletti disseram que o principal empecilho é a proposta de restaurar Zelaya no poder e formar um governo de coalizão com seus rivais.

"No momento não há acordo sobre as questões que estão na mesa", disse Carlos Lopez, que representa Micheletti, depois das reuniões de sábado.

O Exército depôs Zelaya e o enviou para fora do país de avião no mês passado, cumprindo ordens da Suprema Corte. Críticos do governo de Zelaya acusavam o presidente de violar a Constituição hondurenha ao tentar estender os limites do mandato presidencial.

Depois de assumir o poder em 2006, Zelaya decepcionou a elite do país e moderados do seu próprio Partido Liberal ao pender mais para a esquerda e aliar-se ao presidente Hugo Chávez, da Venezuela.

A incerteza sobre o resultado das negociações deixa Arias numa situação difícil ao tentar ajudar a resolver a pior crise da América Central desde o fim da Guerra Fria. Arias ganhou o Prêmio Nobel da Paz por seu papel no fim da violência na América Central na década de 1980.

O governo norte-americano tem se mantido calado enquanto se desenrola o processo de mediação. Mas a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, falou sobre Honduras com seus colegas do Brasil e da Colômbia, disse um alto funcionário do governo dos Estados Unidos.

Os EUA estão preocupados sobre a volta de Zelaya a Honduras antes que se chegue a um acordo e estão em contato com ele para reforçar a importância de permitir que Arias tente mediar uma solução, disse outro alto funcionário norte-americano.

O secretário de Estado assistente, Tom Shannon, "está em contato quase diário com ele, pedindo-lhe que permita que o processo de Arias se complete".

Do exílio, na Nicarágua, Zelaya prometeu retornar a seu país "de um jeito ou de outro", uma decisão que poderia aumentar o conflito e provocar a violência.

Micheletti, antigo inimigo de Zelaya que foi nomeado presidente interino pelo Congresso hondurenho depois do golpe, ameaçou prender o presidente deposto e colocou o Exército em estado de alerta em pontos-chave do país.

(Reportagem adicional de Simon Gardner, Esteban Israel, Gustavo Palencia e Juana Casas em Tegucigalpa e Arshad Mohammed em Mumbai)

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