Retorno aos EUA coloca fim a disputa de 5 anos sobre Sean Goldman

Rio de Janeiro, 24 dez (EFE).- O retorno aos Estados Unidos do menino Sean Goldman, de 9 anos, com seu pai americano David Goldman colocou um fim hoje a uma disputa de 5 anos.

EFE |

Sean foi entregue hoje por seus parentes brasileiros no consulado dos EUA no Rio de Janeiro e poucas horas depois embarcou com seu pai em um avião fretado com destino a Orlando (Flórida) segundo o deputado americano Chris Smith.

A família materna do menino cumpriu com a ordem ditada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas, ao entregá-lo, acusou as autoridades brasileiras de terem se submetido às pressões dos EUA por "interesses comerciais".

Os familiares também denunciaram, por meio de seu advogado, Sergio Tostes, que nenhum de seus pedidos foi aceito e que não sabem quais serão seus direitos sobre o menor nem se poderão voltar a vê-lo.

A custódia de Sean era motivo de uma disputa nos tribunais de Brasil e EUA desde 2004, quando sua mãe, Bruna Bianchi, o trouxe para o Rio de Janeiro supostamente de férias, mas nunca voltou para Nova Jersey, onde viviam.

Bruna, que tramitou seu divórcio no Brasil e se casou com um advogado, morreu no ano passado por complicações no parto de sua segunda filha.

Sean ficou provisoriamente com seu padrasto enquanto as autoridades tomavam a decisão sobre sua custódia.

Na campanha por recuperar seu filho, Goldman obteve apoio do então senador Barack Obama, que, em março deste ano, durante sua primeira reunião como líder de Estado dos EUA com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu o retorno de Sean para o país.

Em entrevista coletiva posterior ao encontro, Lula disse que o assunto estava nas mãos do STF e que qualquer decisão seria respeitada por seu Governo.

Goldman também obteve o apoio da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e de membros da Câmara de Representantes dos EUA, que chegaram a aprovar uma resolução para exigir do Brasil "urgência extrema" para solucionar o caso e alguns dos quais chegaram a acompanhar o pai em suas viagens ao Rio de Janeiro.

Os mesmos legisladores chegaram a vetar um projeto de lei que ratificava um acordo comercial com o Brasil como forma de pressão.

Esse veto foi o que levou os avôs maternos de Sean a denunciar hoje que as autoridades brasileiras tomaram uma decisão favorável ao pai americano por "interesses comerciais".

O prazo para entregar do menor vencia hoje às 9h.

Goldman, que estava no Rio de Janeiro há uma semana, chegou ao consulado duas horas antes do final do prazo, enquanto Sean e seus familiares se apresentaram meia hora antes e tiveram problemas para entrar devido ao grande número de jornalistas e curiosos aglomerado na porta.

Segundo o advogado Tostes, Sean chorou muito antes de ser devolvido, chegou a ter febre ontem à noite e se despediu de sua irmã mais nova dizendo que voltaria em breve.

Apesar de os porta-vozes do consulado terem afirmado que toda a negociação foi realizada entre os advogados, Tostes afirmou que os pedidos dos parentes maternos foram vetados pelo Governo americano e aceitos pelo brasileiro. EFE cm/pd

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