Retomada de vôos entre Taiwan e China prenuncia aproximação

Francisco Luis Pérez Taipé, 4 jul (EFE) - A retomada, hoje, dos primeiros vôos diretos semanais entre China e Taiwan gera esperanças de uma maior aproximação entre dois grandes antagonistas políticos, que não tiveram relações oficiais nos últimos 60 anos.

EFE |

Pela primeira vez desde 1949, chegaram a Taiwan chineses em um vôo direto, entre eles 33 autoridades, incluindo o chefe da Administração Nacional de Turismo da China, Shao Qiwei, e o diretor do Departamento de Intercâmbios do Escritório de Taiwan, Dai Xiaofeng.

Um avião da companhia China Southern Airlines pousou hoje no aeroporto da capital taiuanesa procedente da cidade chinesa de Cantão, com mais de 100 turistas.

Pouco depois, um avião da companhia aérea taiuanesa China Airlines aterrissou no Aeroporto Internacional de Pudong, em Xangai, às 10h20 (23h20 em Brasília), como parte do acordo para estabelecer vôos diretos entre os dois territórios assinado em 13 de junho em Pequim.

China e Taiwan chegaram em junho a um acordo histórico para estabelecer, a partir de hoje, 18 vôos semanais de ida e volta por companhia entre o continente e a ilha, unindo, assim, regularmente e pela primeira vez desde 1949 os dois lados do Estreito de Formosa.

Os vôos diretos "não estão ligados à integração política, mas à melhoria dos vínculos em transporte, negócios e turismo", disse o primeiro-ministro taiuanês, Liu Chao-shiuan, após a aterrissagem do primeiro avião.

Segundo o ministro de Transporte da ilha, Mao Chih-kuo, o início dos vôos diretos "representa o cumprimento de uma promessa eleitoral do presidente taiuanês", Ma Ying-jeou.

"É um fato muito significativo e o primeiro passo em direção a vôos regulares entre as duas partes", destacou Mao.

A ilha espera grandes benefícios a partir destes vôos, além de melhorar os laços com Pequim com o objetivo de assinar um acordo de paz - não a curto prazo - e negociar um maior espaço internacional.

"Taiwan espera grandes benefícios econômicos desta liberalização, que, para a China, é um modo de aumentar sua influência na ilha e também de mostrar uma face pacífica à sociedade internacional", disse à Agência Efe o especialista político taiwanês Kuo Chien-min.

As festas e hospitalidade com que os turistas e funcionários chineses estão sendo recebidos na ilha não escondem a preocupação de muitos pelo custo social, em segurança nacional e pelo perfil internacional dos acordos.

"Os vôos diretos, com mil mísseis chineses apontando para a ilha, podem significar um perigo para a defesa nacional, já que a China pode utilizá-los para ocultar uma ação bélica", diz Chuang Shou-han, um alto funcionário do independentista Partido Democrata Progressista (PDP).

Às vozes críticas independentistas de Taiwan, que qualificam os vôos diretos de "Cavalo de Tróia", se unem as dos partidários do dalai lama, líder espiritual tibetano, e os seguidores do grupo religioso Falun Gong, ilegal na China.

"Não cederemos em liberdade de expressão perante os visitantes chineses", disse a porta-voz da Associação Amigos Taiuaneses do Tibete, Chou Mei-li, enquanto o Falun Gong ameaça distribuir panfletos aos turistas chineses, desafiando a advertência do Governo.

"Respeitamos a liberdade de expressão dos seguidores do Falun Gong, mas não consentiremos com ataques pessoais ou outras atividades ilegais", disse o primeiro-ministro taiuanês, Liu Chao-shiuan.

O efeito imediato dos vôos diretos é "a inclusão de Taiwan na rede logística do Pacífico Asiático, oferecendo às empresas internacionais um acesso direto para explorar o mercado chinês", indicou Wea Chin-lin, professor da Universidade de Taiwan.

Até que os vôos diretos se tornem diários, "o efeito positivo é meramente simbólico", acrescentou o economista taiuanês.

O acordo de 13 de junho, histórico e simbólico, é um início, mas já criou um ambiente menos beligerante no Estreito de Formosa e restaurou laços bilaterais.

O fluxo de visitas de funcionários a ambos os lados do Estreito prenuncia uma melhor comunicação, o que não elimina nem a grande barreira política nem a diferença social entre os dois territórios: a China do Partido Comunista e a democrática Taiwan.

Para evitar choques políticos, os primeiros grupos de turistas chineses não visitarão os locais relacionados com o general Chiang Kai-shek, que protagonizou uma guerra civil contra Mao Tsé-tung na China, e se refugiou na ilha em 1949, convertendo-a em um bastião anticomunista.

A chegada ao poder do presidente taiuanês Ma Ying-jeou, em 20 de maio, colocou fim a oito anos de Governo independentista e despertou esperanças de melhora nos laços com a China.

O acordo de 13 de junho permite a chegada de até três mil turistas chineses por dia.

Taiwan espera aumentar a dez mil esse número de turistas e ampliar todas as semanas os vôos diretos até meados de 2009.

Após ser derrotado na guerra civil, o Partido Nacionalista da ilha restringiu o transporte direto e os vínculos por motivos de segurança nacional. EFE flp/db

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