Retirada dos EUA abre processo de 'liberdade', diz governo afegão

Governo diz que decisão de Obama sobre retirada de 10 soldados beneficia os dois países; talibãs dizem se tratar de 'propaganda'

EFE |

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, declarou nesta quinta-feira que o início da retirada das tropas dos Estados Unidos é um passo positivo para os dois países. Já os talibãs classificaram a medida como simbólica e afirmaram que a decisão anunciada nesta semana pelo presidente americano Barack Obama em nada muda a atual situação na região.

Horas após o anúncio, Karzai leu um texto à imprensa parabenizando a nação afegã por seguir avançando na defesa de seu território "pelos próprios meios e com as mãos de sua própria juventude". "Começa agora um processo muito importante para nossa liberdade, para nosso governo e para a proteção do Afeganistão pelos próprios afegãos", ressaltou Karzai. Em virtude do plano exposto por Obama, nos próximos 15 meses 33 mil soldados deixarão o Afeganistão.

Os talibãs sublinharam que só uma retirada total das tropas pode solucionar o conflito. Em comunicado, os insurgentes garantiram que a "solução à crise afegã chegará com a total saída das tropas estrangeiras" e que, até então, a luta do movimento "aumentará dia a dia". Pelo texto, a retirada gradual das tropas é "só um passo simbólico" que não cobre sequer as expectativas do povo americano.

O movimento fundamentalista classificou como "propaganda" a afirmação de Obama de que a saída militar ocorre em um momento de vantagem para as tropas internacionais, algo que, defendem os talibãs, tem o objetivo apenas dar falsas esperanças aos americanos. Uma das principais dúvidas do começo da retirada progressiva dos EUA é a capacidade das forças afegãs de assumir o controle.  Conforme o Ministério da Defesa afegão, não se deve duvidar que o Exército e a Polícia afegãos são capazes de manter a segurança e dar continuidade as operações com a saída das tropas estrangeiras.

Os insurgentes têm uma opinião diferente e alegam que "nem sequer os formadores passam os exames" e que os membros das forças de segurança, "a maioria deles são drogados", são vistos pelos afegãos como "inimigos de sua nação e de sua religião". Ao longo do ano mais 10 mil soldados americanos deixarão o país e outros 23 mil farão o mesmo até setembro de 2012.

AP
Karzai fez aceno positivo diante de decisão dos EUA
No total, 33 mil militares, o mesmo contingente que a Casa Branca ordenou enviar ao Afeganistão como reforço no final de 2009. Os Estados Unidos têm atualmente no país cerca de 100 mil soldados - dois terços do contingente militar estrangeiro -, com o que em setembro de 2012 ainda haverá 67 mil militares. Após o anúncio de Washington,  outros países que mantêm tropas no Afeganistão também  anunciaram planos de retirada militar.

A Espanha o fará ao longo de 2012, como informaram nesta quinta-feira à Agência Efe fontes do Ministério da Defesa, cumprindo os prazos estipulados pela Aliança Atlântica na cúpula de novembro passado. Dois dos países com maior presença no país, França e Alemanha, também atuarão alinhados com Washington.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, declarou que a retirada das tropas francesas será realizada "de maneira proporcional ao calendário dos EUA", e o ministro de Relações Exteriores alemão, Guido Westerwelle, confirmou que seu país começará a recuar no final deste ano. Pelo contrário, a primeira-ministra da Austrália, Julia Gillard, declarou que os 1.550 soldados australianos ficarão até 2014.

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