Retirada de embaixador venezuelano da Colômbia preocupa congressistas

BOGOTÁ - A decisão da Venezuela de congelar as relações diplomáticas e comerciais com a Colômbia, com a retirada de seu embaixador Gustavo Márquez, já preocupa congressistas e dirigentes econômicos colombianos.

Redação com agências internacionais |

O anúncio feito ontem por Chávez foi uma reação de protesto pela divulgação da suposta apreensão de armas venezuelanas em acampamentos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), mas foi interpretado também como uma forma de repúdio ao acordo negociado entre Estados Unidos e Colômbia, que aumentará a presença militar norte-americana em ao menos três bases e em três portos locais.

Em um comunicado feito na noite de ontem em um programa da TV estatal, Chávez acusou o governo colombiano de "irresponsabilidade" por alegar que seu país mantém relações com as Farc e anunciou o congelamento das relações bilaterais.

"Com base nessa agressão do governo da Colômbia, ordenei a retirada de nosso embaixador de Bogotá e vou congelar as relações com a Colômbia", disse.

Para a senadora de oposição colombiana Cecilia López, a situação entre os dois países é "muito delicada" e, por isso, o governo colombiano deveria convocar uma comissão de Relações Exteriores, integrada por ex-presidentes e ex-chanceleres.

É preciso "falar com especialistas, que conhecem o que se pode fazer, e usar a diplomacia, nada de respostas duras", pediu López, que integra o Partido Liberal Colombiano.

Por sua vez, Tulio Zuluaga, presidente da associação de vendedores de autopeças considerou "gravíssimo" o congelamento das relações comerciais. Enquanto José Félix Lafaurie, presidente da Federação de Criadores de Gado da Colômbia (Fedegán), pediu "prudência", opinando que "o comércio não pode continuar sendo instrumento de retaliação política".

Já o senador Jairo Clopatofsky, do governista Partido de la U, criticou o anúncio do chefe de governo venezuelano e considerou que o seu "mal-estar" está relacionado ao anúncio do acordo firmado com os Estados Unidos.

Entretanto, o embaixador norte-americano na Colômbia, William Brownfield, reiterou que tal negociação faz parte "da mesma colaboração que tivemos nos últimos dez anos, sob o Plano Colômbia".

O diplomata evitou referir-se ao tema das armas, de fabricação suecas, comercializadas à Venezuela, e que teriam sido encontradas em um acampamento da guerrilha colombiana.

"É uma questão entre o governo da Colômbia, o governo da Suécia e o governo da Venezuela. O meu governo não tem o direito e nem informação para falar desses temas", opinou.

Esta não é a primeira vez que Chávez congela as relações com a Colômbia. Em novembro de 2007, ele tomou tal decisão após Uribe suspender sua atuação como mediador entre o governo colombiano e as Farc.

Em março de 2008, após o Exército colombiano realizar uma incursão ilegal contra um acampamento das Farc em território equatoriano, o governo venezuelano mobilizou suas tropas na fronteira e fechou a embaixada em Bogotá.

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