Rio de Janeiro, 2 mar (EFE).- Os chilenos retidos no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Galeão-Antônio Carlos Jobim) desde sábado, à espera de voltar a seu país, reclamaram hoje das companhias aéreas pela falta de informação e do próprio Governo do Chile.

Cerca de 150 passageiros da TAM, 100 da LAN e 20 da Gol estão nos terminais 1 e 2 do aeroporto, deitados sobre cobertores no chão e esperando alguma notícia para poder retornar ao Chile.

"Não há por parte do Chile uma resposta para mandar um avião e tirar as pessoas de hoje, de ontem, de anteontem e do sábado. A cada dia há mais gente e menos resposta", assinalou Karin Kiessling, passageira da LAN que devia voltar ao país na segunda-feira de manhã.

Segundo eles, no sábado as companhias aéreas aconselharam os primeiros passageiros chilenos que chegaram ao aeroporto a que fossem para hotéis até serem avisados sobre o restabelecimento do tráfego aéreo.

Mesmo assim, o primeiro grupo não foi avisado e, ontem à tarde, saiu um primeiro voo de volta a Santiago do Chile com passageiros que chegaram ao aeroporto mais tarde, entre domingo e segunda-feira.

Devido à falta de informação, a circulação de rumores se estende e já são várias as teorias sobre a falta de voos para o Chile.

"As prioridades são Madri, Nova York, Miami e Buenos Aires: o Brasil não é uma prioridade, e por isso estamos há quatro dias no aeroporto", assegura Karin.

Para outros passageiros, os interesses comerciais das companhias estão por trás da falta de aviões.

"Ontem voltou um avião da TAM de Lima para Santiago. Por que nós não podemos voltar também? Porque não querem perder dinheiro mandando um avião vazio até aqui", afirma Macarena Delgado, que está no aeroporto desde sábado.

Apesar da falta de informação, os passageiros da TAM esperam poder voltar a partir de sexta-feira e os da Gol, na próxima segunda-feira. No entanto, a maioria diz que não possui recursos para permanecer mais dias no Brasil.

O cônsul do Chile no Rio de Janeiro, Horacio del Valle, foi hoje ao aeroporto e conversou com representantes das pessoas com passagens da Gol, que se dizem as mais prejudicadas.

"Sabemos que os recursos do Chile são para as pessoas de lá que realmente precisam, mas nós estamos em um país que não é o nosso e queremos chegar a nosso país e ver nossas famílias", comentou Silvia Araya, outra passageira.

Embora alguns tenham conseguido falar com as famílias, nas áreas mais devastadas pelo terremoto as pessoas não possuem luz e a comunicação é complicada, sobretudo em Concepción, epicentro do terremoto.

"Por isso estão todos desesperados para ir embora", afirma Silvia.

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, informou hoje que o número de mortos no poderoso terremoto que atingiu o país no sábado passado aumentou para 795. EFE af/rr

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