Retenção de mais de 200 pessoas em prisão venezuelana chega ao oitavo dia

Caracas, 29 jun (EFE).- A retenção de mais de 200 parentes de presidiários em um centro penitenciário da região oeste da Venezuela chegou hoje ao seu oitavo dia, sem que haja perspectivas de uma solução para a crise, declarou uma das reféns, que já sofrem com a falta de comida e água.

EFE |

O seqüestro começou no último dia 22, quando os presos do Centro de Reclusão dos Andes, cerca de 700 quilômetros a oeste de Caracas, impediram que 210 pessoas que visitavam parentes presos saíssem do local.

Os presos exigem a demissão da diretora do presídio, Liseth Blanco, e uma "flexibilização" nas revistas, na segurança e no controle dos detentos, atividades a cargo da Guarda Nacional (GN, polícia militarizada).

"Não há mesa de diálogo porque (as autoridades) não querem destituir a diretora (do presídio). Estamos sem receber comida desde sexta-feira. Não temos luz nem água" e houve "tiros", disse por telefone à rede de TV "Globovisión" Marilyn Cedeño, uma das reféns.

Por sua vez, o vice-ministro de Segurança Civil, Tareq El Aissami, negou que o envio de comida à prisão tenha sido suspenso, e classificou como "irresponsáveis" e "manipuladoras" as afirmações de Cedeño.

"Essa senhora está manipulando, manipulando perversamente", declarou Aissami, ao ressaltar que é "completamente falsa" a informação sobre o corte no envio de água potável e comida.

Ainda de acordo com o vice-ministro, são os detentos que "impedem" o acesso de médicos e de pessoal de apoio aos pavilhões.

Aissami também acusou um "grupo minoritário" de presos de ser "irresponsável" por manter "crianças e mães contra sua vontade" dentro da penitenciária.

"Nunca tinha visto internos atentarem contra suas famílias (...).

Alguns (dos reféns) estão, sim, em atitude de auto-seqüestro, mas a maioria está (retida) contra sua vontade", afirmou o vice-ministro.

Cedeño disse que os retidos são mais de 230 e estão em dois pavilhões da prisão.

"Neste pavilhão, temos 28 crianças presas (...), 68 adultos com mais de 60 anos e 22 ou 23 grávidas", declarou a refém à "Globovisión".

Segundo a mulher, desde quinta-feira não há contatos com o diretor-geral de Custódia do Ministério do Interior, Ismel Serrano, que assumiu o controle das negociações com os presos.

"A última vez que falamos com ele (Serrano) foi na quinta-feira (...), quando nos disse que não haveria mais comida (...) independentemente do que estivesse acontecendo", disse Cedeño, que pediu a intervenção direta do presidente Hugo Chávez no caso. EFE gf/rb/sc

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