Resultados preliminares de eleições no Afeganistão apontam para 2º turno

Diego A. Agúndez.

EFE |

Cabul, 25 ago (EFE).- O presidente afegão, Hamid Karzai, tem uma ligeira vantagem em comparação com seu principal rival, Abdullah Abdullah, segundo os primeiros resultados parciais oficiais das eleições presidenciais realizadas no Afeganistão no dia 20, divulgados hoje, e que apontam para um segundo turno.

Em entrevista coletiva, o secretário da Comissão Eleitoral, Daoud Ali Najafi, informou que o pashtun Karzai obteve 212.927 dos 555.842 votos apurados, frente aos 202.889 de Abdullah.

Descontados os votos nulos, esses números dão ao atual presidente 40% do apoio, contra 38,5% ao ex-ministro de Exteriores Abdullah, um dentista de etnia tajique.

A Comissão apontou em comunicado que os dados oferecidos correspondem à apuração dos votos de 10% dos centros de votação do país e, segundo Najafi disse à Agência Efe, representam tanto as províncias de maioria tajique, quanto as pashtuns.

"Os votos contabilizados até agora ponderam bem a representação entre o norte (tadjique) e o sul (pashtun) do país. Mas, naturalmente, a situação poderia dar uma reviravolta", afirmou Najafi.

Se a tendência apresentada hoje for confirmada, seria necessário um segundo turno entre Karzai e Abdullah.

Os dados da Comissão não incluem a apuração em alguns dos redutos de Karzai, como Herat e Badghis, no oeste do Afeganistão, ou as províncias pashtuns de Oruzgan ou Khost, mas os votos de algumas das zonas mais ligadas a Abdullah, no norte do país, também ainda não foram computados.

Na terceira posição, com 53.740 dos votos, se mantém o ex-ministro do Planejamento Ramazán Bashardost, um hazara que, durante a campanha, levantou a bandeira da luta contra a corrupção e alertou repetidamente que haveria fraude.

A apuração está sendo supervisada por interventores dos diferentes candidatos, mas, nos últimos dias, houve uma série de denúncias de práticas irregulares, reiteradas hoje por Abdullah, em entrevista à Efe.

"Eu não estou falando de pequenas coisas aqui e lá. Não esperávamos esta farsa de apuração", disse o principal oponente de Karzai.

Para Abdullah, é essencial que haja um segundo turno, no qual ele poderia reunir os votos "contra Karzai", que foram destinados a outros candidatos no primeiro.

Outros seis candidatos à Presidência - entre eles, um dos favoritos, Ashraf Ghani - também emitiram hoje um duro comunicado conjunto, no qual denunciaram uma "fraude generalizada e intimidação" durante a votação e alertaram sobre o perigo de um "aumento da tensão e da violência no país".

Segundo a nota, a Comissão de Queixas, organismo encarregado de avaliar as irregularidades, recebeu, até agora, mais de 400 denúncias, das quais 40 têm importância suficiente para afetar o resultado.

A Comissão Eleitoral disse hoje ter tomado nota das irregularidades, mas esclareceu que os votos computados até agora procedem de áreas nas quais não se registraram queixas e que, por isso, em teoria, estão "limpos".

Os representantes do organismo reiteraram que estão abertos a qualquer nova prova de irregularidade nas eleições, que foram boicotadas pelos talibãs e realizadas sob a presença de mais de 100 mil soldados estrangeiros espalhados pelo país.

"Pedimos aos candidatos, agentes, observadores e à mídia que evitem fazer anúncios de resultados. É nossa competência", repetiu Najafi, na entrevista coletiva.

A última pesquisa pré-eleitoral indicou que Karzai obteria 44% dos votos e Abdullah, 26%, mas, nos últimos dias, a previsão de uma vitória do atual presidente por maioria absoluta passou a ser considerada, ao mesmo tempo em que as acusações de fraude começaram a ser apresentadas.

"Estes resultados são bons", disse à Efe um porta-voz de Karzai presente na sala momentos depois do anúncio dos primeiros dados. No entanto, seu rosto não mostrava alegria.

A Comissão Eleitoral prometeu divulgar diariamente as atualizações sobre a apuração. Se nenhum candidato obtiver 50% dos votos, haverá um segundo turno, previsto para outubro.

Abdullah já antecipou que só aceitará o resultado eleitoral se o processo for "crível e transparente". EFE daa/pd

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