Resultado parcial indica 2º turno na Colômbia

Juan Manuel Santos e Antanas Mockus aparecem na frente após terem sido apuradas mais de 70% das urnas

iG São Paulo |

AP
Soldado colombiano monta guarda enquanto eleitores procuram seus nomes em lista de votação

Com quase 100% das urnas apuradas na Colômbia, o candidato governista Juan Manuel Santos aparece como vencedor das eleições presidenciais deste domingo, mas não conseguiu evitar um segundo turno em 20 de junho, contra o candidato do partido Verde, Antanas Mockus. O órgão eleitoral colombiano afirma que Santos conquistou mais de 46% dos votos válidos, enquanto Mockus obteve pouco mais de 21%.

Para decidir o pleito em turno único, eram necessários 50% mais um dos votos.

Germán Vargas Lleras do partido Cambio Radical aparece em terceiro com cerca de 10%, seguido do candidato esquerdista Gustavo Petro, com mais de 9% dos votos.

Os partidos tradicionais sairam derrotados no pleito. A candidata do partido Conservador Noemí Sanín ficou por volta de 6%, e o Rafael Pardo, do partido Liberal, teve pouco mais de 4%.

O candidato governista Juan Manuel Santos, é o herdeiro e defensor da controvertida política de Segurança Democrática da administração Uribe. Neste domingo, Santos defendeu o voto como saída para "derrotar o terrorismo".

Confrontos armados
Ex-ministro de Defesa do atual governo, Santos disse que pretende ser recordado como o presidente "que deu trabalho aos colombianos".

Já o adversário verde, Mockus, prometeu governar dentro da legalidade e combater a corrupção no país. Ele confirmou ser o preferido dos eleitores mais jovens e o favorito nos grandes centros urbanos.

Pouco antes de votar, na manhã deste domingo, Mockus, disse que os colombianos "lembrarão que pela primeira vez não votou contra e sim a favor" de um projeto.

As eleições presidenciais da Colômbia foram marcadas por confrontos armados na zona rural colombiana entre militantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e soldados do governo que deixaram pelo menos três mortos e "impediram que muitos votassem", segundo observadores do pleito.

Mesmo com a segurança reforçada em todo o país por 340 mil homens, foram registradas 17 ações armadas, de acordo com o Movimento de Observação Eleitoral (MOE) colombiano.

"Esses ataques impediram que muitos eleitores chegassem aos centros de votação", afirmou à BBC Brasil Ariel Ávila, da direção do MOE.

Os confrontos aconteceram nos departamentos (Estados) de Cauca, Antioquia e Caquetá. Um guerrilheiro das Farc teria morrido no sudoeste do país. Nos departamentos de Meta e Bolívar, dois soldados do Exército também teriam caído em enfrentamentos.

O ministro do Interior, Fabio Valencia Cossio, disse ainda que a Polícia Nacional desativou três artefatos explosivos antes da abertura das urnas para o pleito que escolherá o sucessor do atual presidente colombiano, Álvaro Uribe.

Tranquilidade nas cidades
Nas cidades, o pleito transcorreu normalmente. Nos centros de votação em Bogotá, marcados com intenso fluxo de eleitores, era possível ver a polarização criada pelas candidaturas presidenciais e pelo polêmico governo de Álvaro Uribe.

O estudante universitário Sebastián Prieto, de 18 anos, que votou pela primeira vez neste domingo disse preferir Mockus porque o candidato "não pensa em consertar as consequências e sim as causas" dos problemas na Colômbia.

"Uribe fez coisas boas, mas com métodos muito caros para o país", afirmou Prieto à BBC Brasil ao criticar o caso dos chamados "falsos-positivos".

O caso, um dos escândalos que marcou a era Uribe, gira em torno de execuções extrajudiciais de jovens de baixa renda do campo e da cidade, assassinados e em seguida vestidos como guerrilheiros com o objetivo de inflar as estatísticas do Exército no combate aos grupos armados.

'Guerra'
A posição do comerciante German Díaz se dirigia à outro extremo. Pouco antes de votar, no centro da capital, na praça Bolívar, Diaz disse apoiar o candidato governista "porque viveu a guerra". A seu ver, o novo presidente deve continuar a política militar de combate às guerrilhas.

"Sei o que é viver no campo e ter que pagar pedágio para guerrilha, paramilitar, Exército, ver a morte de perto", disse Diaz à BBC Brasil.

A poucos metros deste centro de votação, a vendedora ambulante Bertha Gaitán, se queixava da situação do país, enquanto preparava "obleas", uma espécie de bolacha fininha recheada com doce de leite.

" A única coisa que resta aos pobres é trabalhar assim, na rua, sem segurança, sem direito à aposentadoria, nada", disse à BBC Brasil, ao criticar a gestão do presidente Uribe, que deixará o governo após oito anos.

"Uribe se cercou de mafiosos, governou para os ricos e está vendendo o país para os gringos (Estados Unidos)", afirmou a vendedora que até o meio dia não havia decidido se votaria ou não nestas eleições.

Alvo de críticas da esquerda e de organizações sociais, Uribe que se tornou o principal aliado dos Estados Unidos na região terminará seu controvertido mandato com cerca de 68% de popularidade.

Seu sucessor receberá um país mais seguro que há oitos anos, porém com 20 milhões de pobres, em uma população de 44 milhões, com 3,5 milhões de pessoas vítimas de deslocamento forçado em consequência do conflito armado, com 12% de desemprego, um dos mais altos índices da América Latina e com uma crise de credibilidade institucional, segundo analistas entrevistados pela BBC Brasil.
Segundo turno

Os dois candidatos favoritos a disputar uma nova rodada eleitoral votaram na manhã deste domingo em Bogotá . O candidato do partido Verde, Antanas Mockus , admitiu desejar que a disputa fosse decidida ainda no primeiro turno e disse que os colombianos "lembrarão que pela primeira vez não votou contra e sim a favor" de um projeto.

O verde votou acompanhado dos filhos e da esposa e comentou a sua admiração pela política social de Luiz Inácio Lula da Silva. Seu principal adversário, o candidato governista Juan Manuel Santos , defendeu o voto como saída para "derrotar o terrorismo" e prometeu acatar qualquer resultado proveniente das urnas. Santos disse que pretende ser recordado como o presidente "que deu trabalho aos colombianos".

Os outros sete candidatos que disputam o pleito apostam em reverter o resultado das pesquisas que destacam a Mockus e Santos como favoritos na disputa de um eventual segundo turno.

Uribe

Álvaro Uribe foi um dos primeiros a votar, logo pela manhã, numa seção eleitoral na praça Bolívar, no centro histórico de Bogotá, próximo ao palácio presidencial. "Compatriotas, o voto livre e em consciência é o reconhecimento da dignidade da pátria", afirmou o presidente.

Uribe entregará a seu sucessor um país mais seguro que há oitos anos, porém com 20 milhões de pobres, em uma população de 44 milhões, com 3,5 milhões de pessoas vítimas de deslocamento forçado em consequência do conflito armado e com uma crise de credibilidade institucional, segundo analistas entrevistados pela BBC Brasil.

A poucos metros de onde votou o presidente colombiano, no centro da praça, o candidato presidencial Robinson Alexander Devia, em greve de fome há 20 dias, protestava contra o sistema democrático colombiano. Dezenas de pessoas que estão acampadas na praça, com esparadrapos na boca, acompanham o protesto.

Protestos

Devia alega não ter tido espaço nos debates presidenciais para expor suas propostas aos colombianos.
"O eleitor não pode decidir com liberdade se o direito a informar e estar informado está sendo violado", afirmou Devia à BBC Brasil. O candidato terminará a greve de fome neste domingo. A duas quadras dali, um grupo de jovens artistas protestavam tocando tambores e convocando os eleitores a votar branco.

"A Constituição diz que se a maioria votar em branco, as eleições têm de ser repetidas, com novos candidatos", explicou à BBC Brasil Milton Siriaco, que diz não acreditar no sistema eleitoral.
"A cada quatro anos elegemos um presidente, e a história tem mostrado que estamos cada vez pior. Eles promovem a ignorância para continuar mantendo seus privilégios no poder", acrescentou.

‘Mudança do sistema’

Para o cientista político Pedro Medellín, neste domingo está em jogo a mudança do regime político na Colômbia. "Colômbia tem que escolher se quer manter o regime clientelista, de troca de favores para definição de políticas ou um regime conformado por coalizões baseadas em argumentos", afirmou Medellín à BBC Brasil.

Santos e Mockus prometeram dar continuidade à política de segurança do presidente colombiano Álvaro Uribe, atacar o desemprego de 12%, um dos mais altos da América Latina, reduzir o déficit fiscal de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) e promover reformas sociais.

Em meio a escândalos de corrupção e de envolvimento de políticos com paramilitares, Mockus se apresenta como o candidato que governará na legalidade e combaterá a corrupção.
É o preferido dos jovens eleitores jovens e o favorito nos grandes centros urbanos.

O processo eleitoral será monitorado pela Organização de Estados Americanos (OEA) e por observadores colombianos. Em um pleito considerado histórico, que determina o fim da era Uribe, espera-se que o índice de abstenção seja inferior à média de 50% registrada nas eleições anteriores.
O voto na Colômbia é facultativo.

*com informações da EFE, BBC e Ansa

    Leia tudo sobre: Colômbiaeleições

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG