JERUSALÉM - Os resultados finais das eleições gerais israelenses, divulgados nesta quinta-feira, confirmaram que nenhum dos dois partidos mais votados conseguirá governar sem a formação de uma coalizão. Após a contagem dos votos de soldados e de expatriados, o partido governista Kadima, de centro, tinha conquistado 28 assentos no Parlamento. O oposicionista Likud, de direita, 27 assentos. Para ter a maioria no Parlamento israelense (Knesset), de 120 lugares, o futuro governo necessitará pelo menos 61 assentos.




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Após a publicação oficial dos resultados, na próxima quarta-feira, o presidente Shimon Peres irá realizar consultas com líderes partidários para decidir quem entre eles têm a maior chance de formar um governo de coalizão. Peres, no entanto, não é obrigado a escolher o líder do partido com mais cadeiras no Knesset.

Tanto a líder do Kadima, Tzipi Livni, como do Likud, Benjamin Netanyahu, declararam querer ocupar o cargo de premiê de Israel. Ambos negociam, no momento, o apoio de partidos menores.

Esta é a primeira vez nos mais de 60 anos do país que o vencedor de uma eleição pode acabar na oposição - no caso da coalizão governista excluir o Kadima. Juntos, o Likud e outros partidos de direita controlam 65 cadeiras no Knesset.

O partido de extrema-direita Israel Beiteinu, liderado pelo antiárabe Avigdor Lieberman, foi a grande surpresa deste pleito.

Com 15 cadeiras, ele ficou à frente do tradicional Partido Trabalhista, que elegeu apenas 13 parlamentares e ficou em um inédito quarto lugar. O Partido, do ministro da Defesa e ex-premiê, Ehud Barak, é uma das agremiações políticas mais tradicionais do país. O partido religioso Shas ficou com a quinta colocação, com 11 assentos.

Reuters

Netanyahu ouve membro do parlamento durante reunião do Likud

Após ser escolhido por Peres, o novo primeiro-ministro terá 42 dias para formar a coalizão. Se ele não conseguir, o presidente pode pedir que outro assuma a tarefa.

As eleições israelenses foram dominadas por questões sobre a segurança do país, logo após a ofensiva contra o grupo palestino Hamas, na Faixa de Gaza.

Analistas dizem que as prováveis características de direita do novo governo israelense podem colocá-lo em rota de colisão com o governo do presidente americano, Barack Obama, que já disse pretender colocar o processo de paz no Oriente Médio no topo de sua agenda de política externa.

No mês passado, o enviado especial do presidente americano para o Oriente Médio, George Mitchell, fez sua primeira visita oficial para a região, na qual se disse a favor de negociações de paz e contra a expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia ocupada. Netanyahu manifesta opiniões opostas em ambos os assuntos.

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