Resultado de polêmicas eleições no Zimbábue saem hoje ou amanhã

Harare, 27 jun (EFE).- O Zimbábue espera que a Comissão Eleitoral do país (ZEC, na sigla em inglês) anuncie hoje ou amanhã os resultados do polêmico segundo turno de suas eleições presidenciais, que teve como único candidato o atual chefe de Estado zimbabuano, Robert Mugabe.

EFE |

O pleito ocorreu ontem, em meio a um clima de violência e intimidação, sob a crescente pressão da comunidade internacional e sem a participação do principal candidato da oposição, Morgan Tsvangirai.

Em resposta às condições de realização da votação, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ordenou neste sábado a imposição de sanções ao "Governo ilegítimo do Zimbábue".

"Já que o regime de Mugabe ignorou descaradamente a vontade democrática dos zimbabuanos e seus direitos humanos, dei instruções à secretária de Estado (Condoleezza Rice) e ao secretário do Tesouro (Henry Paulson) para que apliquem sanções ao Governo ilegítimo do Zimbábue e àqueles que o apóiam", disse Bush.

A participação dos zimbabuanos nas eleições foi mínima e, como a Agência Efe pôde costatar, muitas das seções passaram o dia praticamente desertas.

A votação de ontem contrastou com a do primeiro turno, realizado em 29 de março e que foi marcado pelas longas filas, formadas antes mesmo da abertura dos colégios eleitorais.

Hoje, o Governo do Zimbábue tentou ocultar a baixa participação no segundo turno. O jornal chapa-branca "The Herald" disse que a presença nas urnas foi "maciça" e que o pleito transcorreu em meio a um clima de paz e tranqüilidade.

No entanto, durante todo o dia de ontem, unidades paramilitares leais ao Governo e grupos de militantes do partido governista - o União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) -, dirigidos por veteranos da luta pela independência do Zimbábue, percorreram as ruas de Harare convocando pessoas a votar.

A desistência do opositor Tsvangirai, segundo o próprio anunciou, esteve relacionada à campanha de violência e intimidação lançada por Mugabe e que tornava impossível a realização de eleições justas e livres.

Em resposta, Mugabe, presidente do Zimbábue desde a independência do país, em 1980, disse que a retirada da candidatura de seu maior adversário político foi um ato de covardia.

Ontem, Tsvangirai incentivou um boicote ao pleito. "Se possível, pedimos que não votem (...). Mas, caso se vejam obrigados a votar em Mugabe por suas vidas estarem em perigo, votem", Devido à forte pressão internacional sobre o Governo de Mugabe, o ministro da Informação, Sikhanyiso Ndlovu, disse à TV estatal que "o mundo acredita em tudo aquilo que Tsvangirai diz".

A comunidade internacional condenou energicamente o segundo turno das eleições zimbabuanas. O G8 (os sete países mais desenvolvidos do mundo e a Rússia) disse ontem, durante sua reunião em Kyoto, que não aceitará os resultados do pleito.

Para o seleto clube, deveria ser respeitada a vontade expressada pelo povo do Zimbábue no primeiro turno, no qual o partido de Tsvangirai, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC, em inglês), alcançou a maioria no Parlamento e venceu Mugabe por 47,9% dos votos.

Além disso, a ONU e países da União Européia, como Reino Unido e França, manifestaram seu desacordo com a realização do pleito.

Outra reclamação foi feita por especialistas, segundo os quais as eleições deveriam ser consideradas ilegais, por causa da violência no país e pelo fato de o segundo turno ter acontecido mais de 21 dias após a divulgação do resultado do primeiro, mais especificamente, quase dois meses depois da primeira votação, ocorrida em 2 de maio. EFE sk-hc/bm/sc

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