O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, admitiu nesta sexta-feira que o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de março, em que concorreu à reeleição, foi desastroso para a sua candidatura, embora tenha acusado a oposição de estar fazendo um jogo muito perigoso antes do segundo turno, no dia 27 de junho.

A data do segundo turno foi anunciada às vésperas do retorno ao país do líder da oposição, Morgan Tsvangirai, para quem "a queda da ditadura" de Mugabe é "inevitável".

A eleição, que deveria ser realizada a princípio antes de 23 de maio, ocorrerá quase três meses depois do primeiro turno.

"Embora as eleições presidenciais não tenham apontado um vencedor claro, o resultado de qualquer forma foi desastroso", disse Mugabe ao comitê central de seu partido, o Zanu-PF.

"No entanto, já fixamos um segundo turno, que decidirá o vencedor", acrescentou ao reconhecer que sua candidatura foi apresentada para a votação de 29 de março "completamente sem preparação nem organização".

Mugabe também acusou os partidários da oposição de aterrorizar os moradores das zonas rurais e os militantes de seu partido.

Tsvangirai obteve a vitória nas eleições de março, mas não alcançou a maioria necessária para ser proclamado vencedor oficial.

Mugabe presidiu uma reunião extraordinária do comitê central de seu partido, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), a primeira desde sua derrota histórica em 29 de março.

Mugabe, de 84 anos, dos quais 28 no poder, não apenas foi superado nas presidenciais, como também perdeu de maneira contundente as legislativas.

Tsvangirai, de 56 anos, cuja chegada a Harare está prevista para sábado à tarde, prestou homenagem em Belfast às vítimas da violência política.

"É por eles que devo retornar ao Zimbábue, para estar com eles, para salvá-los deste pesadelo que impregna nossas vidas", considerou.

"A queda da ditadura é inevitável", acrescentou.

Mugabe afirmou que tinha "provas de grupos equipados pelo MDC e por proprietários de terras brancos que semearam o terror nas aldeias e entre os simpatizantes do partido", em um discurso com tom anticolonialista, habitual em seu estilo político.

Tsvangirai deverá se reunir com "os deputados e senadores em Harare, antes de se dirigir rumo a Bulawayo (segunda maior cidade do país), onde participará de uma outra reunião no domingo", declarou à AFP Luke Tamborinyoka, assessor de imprensa do partido.

bur-fpp/dm/fp

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.