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Resultado não afetará postura da oposição contra Morales

A oposição vai manter sua postura contra o governo do presidente Evo Morales, independente do resultado do referendo deste domingo, afirmou à BBC Brasil o o secretário-geral da Prefeitura (equivalente ao governo estadual) de Santa Cruz, Roly Aguilera. Vamos continuar combatendo esse governo central que não quer a prosperidade das regiões do país e só está preocupado em centralizar mais poder, disse Aguilera à BBC Brasil minutos depois do fechamento das urnas.

BBC Brasil |

Segundo ele, essa "luta" será concentrada no Congresso Nacional, onde a oposição tem maioria no Senado, e ainda a partir da Prefeitura e do chamado Comitê Cívico de Santa Cruz - redutos da oposição ao governo Morales.

"A nossa luta é para não sermos excluídos, porque é o que ocorre com a nova Carta Magna. Queremos continuar discutindo para que um dia a Bolívia realize mudanças, porque precisa, mas através de um pacto social e não dessa forma, sem conversa, com imposição", acrescentou.

Divisão
Na opinião de Aguilera e de outros representantes da oposição, a nova Constituição - caso seja ratificada nesse domingo - "divide ainda mais" a Bolívia.

Segundo ele, a "divisão" não é mais entre Leste e Oeste do país, mas entre a região mais próspera, formada pela chamada "meia lua" (Santa Cruz e Tarija, principalmente, e depois Beni e Pando, mais carentes) e a mais pobre do país, com maior concentração de indígenas, que inclui La Paz, sede do poder na Bolívia e com maior percentual de eleitores (33% do total).

"Trata-se de um texto que privilegia a cor da pele e as raízes da pessoa, mas exclui os demais cidadãos do país", disse.

Para Aguilera, as novas divisões poderão ocorrer nos próprios departamentos (estados).

"A Constituição prevê cinco tipos de autonomias, entre elas a indígena e a departamental. Mas como isso vai poder ser feito na prática sem gerar mais conflitos?", questionou.

Segundo ele, essas autonomias poderão gerar uma "anarquia".

Direitos
Nas diferentes declarações realizadas nas últimas horas, Morales disse que a nova Carta "fará uma Bolívia unida e com autonomias".

As autonomias indígenas prevêem, por exemplo, que estas comunidades - são 36 no país - tenham justiça comunitária e que possam eleger dois dos sete integrantes da Corte Suprema de Justiça.

Além disso, teriam a última palavra em regiões produtivas de riquezas naturais - incluindo gás e petróleo.

Para muitos líderes indígenas que apóiam o governo de Morales, essas mudanças são consideradas como um avanço.

Eles afirmam que até agora, estiveram "excluídos" da história do país.

Para os opositores, no entanto, as alterações são motivo de preocupação.

Quando perguntado sobre como a oposição explicará aos eleitores que a votação sobre a autonomia de Santa Cruz, realizada duas vezes, de forma independente do governo central, não poderá ainda sair do papel, Aguilera respondeu:
"Na Espanha, as autonomias demoraram trinta anos para serem implementadas. O nosso problema aqui na Bolívia é que o governo quer centralizar mais poder, quando os eleitores já tinham votado, em diferentes departamentos, que querem a descentralização de poder", disse.

Segundo ele, o projeto de autonomia departamental do governo central e o que foi votado, por exemplo, em Santa Cruz, são bem diferentes.

Segundo os analistas, no caso da Nova Carta, o governo central passa a ter mais poder sobre os recursos gerados pelas regiões produtoras de hidrocarbonetos, entre elas Santa Cruz.

Bolívia
País com nove milhões de habitantes, o mais pobre da América do Sul, a Bolívia é rica em petróleo e gás, mas tem registrado, segundo a Câmara de Hidrocarbonetos, que reúne as empresas do setor, queda nos investimentos, desde o anuncio do decreto de nacionalização de hidrocarbonatos, em maio de 2006.

Ao mesmo tempo, com parte destes recursos da nacionalização, o governo passou a pagar dois bônus para crianças em idade escolar, de famílias carentes, chamado de "bônus Juancito Pinto", e maiores de sessenta anos de idade, no programa chamado "Dignidade".

Segundo a oposição, o governo não deveria distribuir esse dinheiro porque, originalmente, faria parte dos recursos das regiões petroleiras.

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